Acesso à informação e o direito das mulheres

Lançada em dezembro do ano passado a cartilha Acesso à informação e o direito das mulheres é um material produzido pela ONG Artigo 19 – organização especializada em promover o direito à liberdade de expressão e o acesso à informação.

O direito à liberdade de expressão e ao acesso de informações públicas é garantido pelo artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e pelo artigo 5º da Constituição Federal. A regulamentação do direito à informação se deu pela Lei de Acesso à Informação, a LAI (Lei nº12.527/11), em 2011. Toda as informações da administração pública devem ser também públicas para a garantia de uma governança transparente, trata-se de uma forma de fiscalizar e cobrar que direitos sociais, políticos e econômicos sejam honrados pelo Governo.

A cartilha traz detalhadamente e de maneira bastante didática como utilizar a LAI para obter informações políticas do seu interesse. E faz ainda uma intesecção do direito à informação com os direitos das mulheres, sobretudo ao que se refere à promoção de vida livre de violência, discriminação e à igualdade de gênero. A principal missão desse conteúdo focado em gênero é possibilitar que mais mulheres busquem por informações públicas de interesse de tal grupo social desprivilegiado pela estrutura social, pois “segundo dados disponíveis no site da Controladoria-Geral da União, entre maio de 2012 e maio de 2016, as mulheres eram apenas 39,19% das pessoas que fizeram pedidos de informação junto ao Poder Executivo Federal” e em “estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas, constatou-se que a taxa de resposta para pedidos feitos por mulheres era 57%, enquanto a taxa de resposta para pedidos feitos por homens era 72%” (p. 8 e 9). Ou seja, a quantidade de mulheres que pedem acesso à informação é baixa e nem todas as respostas são dadas à elas por parte dos órgãos públicos.

A cartilha segue com sugestões de como os governos são orientados a lidar com a liberação de informações sobre o direito das mulheres, sobre geração de dados, leis relacionadas ao combate de violência contra a mulher e um ótimo passo a passo de como solicitar informações públicas que ainda não foram publicizadas.

É importante salientar que todos os órgãos públicos, autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista e entidades controladas direta ou indiretamente pelos entes da federação, além de entidades privadas sem fins lucrativos que recebam recursos públicos estão submetidos à Lei de Acesso à Informação e devem responder a todos os pedidos de informação dos cidadão em um prazo de 20 dias corridos.

Se interessou pelo tema? Então, acesse aqui para baixar a cartilha Acesso à informação e o direito das mulheres. 

Novos rumos, internet, empreendedorismo e diversidade

Já iniciei os trabalhos de 2017, mas é válido contextualizar a transição de caminhos. Primeiramente, para quem está acostumado a me ler e atuar pelo Versátil RP, eu continuo lá mesmo com o blog pessoal e muito provavelmente encabeçando um projeto bem bacana, conto mais abaixo.

Algumas mudanças aconteceram em decorrência do mestrado. Desde de 2015 venho me preparando para ingressar no curso. Estudando as bibliografias, redigindo o projeto de pesquisa e sendo reprovada na primeira seleção para aprender com os erros, rsss.

Pois bem, objetivo alcançado. A partir de fevereiro ingresso no Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas e Sociais na UFABC, linha de pesquisa Cultura, Comunicação e Dinâmica Social. Meu projeto, a princípio, é sobre o movimento afroempreendedor na internet/redes sociais.

Porém, com esse passo dado tive que abrir mão do mercado como empregada e passo a atuar como autônoma para flexibilizar meus horários com a demanda, os compromissos e exigência do programa. Portanto, estou disponível caso precisem de uma relações-públicas e social media. Meu portfólio pode ser visto aqui. 🙂

Sobre internet, empreendedorismo e diversidade

O empreendedorismo está na veia da família que sempre precisou “fazer um por fora” para pagar todas as contas, trabalho com internet desde 2009 e diversidade tem sido um tema de aprofundamento nos últimos dois anos, sobretudo ao que se refere à mulher e negritude. Logo, juntar tudo isso no desenvolvimento da minha carreira foi um resultado até natural.

Além do tema do projeto de pesquisa que versa basicamente nesses três pilares, também tenho direcionado a atuação técnica nesse sentido. Alguns exemplos de projetos/trabalhos bem legais que harmonizam esse foco:

Fabio Henrique, profissional do audiovisual

Nesse trabalho fizemos a identidade visual (criação gráfica com a First), reestruturação das mídias sociais, planejamento editorial, produção e execução de conteúdo. O Fabio também tem foco em diversidade nos projetos dos quais participa, como a série de vídeos de artistas e as indicações de profissionais durante o novembro negro.

Crowdfunding Flores de Baobá

Dirigido por Gabriela Watson o Flores de Baobá é um documentário que trata da desigualdade no acesso à educação nas comunidades negras. Para abordar o assunto o enredo do documentário acompanha a trajetória de duas educadoras: Nyanza Bandele na Filadélfia e Priscila Dias em São Paulo. Integro a equipe de comunicação responsável pela campanha de crowdfunding no Catarse que tem por objetivo de obter verba para a finalização do documentário.

Comitê de enfrentamento ao racismo

A partir da necessidade de debater a questão do racismo dentro no universo da comunicação e das relações públicas apresentei essa proposta na última plenária do Conrerp/2. Inspirado no comitê do conselho de psicologia e no comitê de diversidade da Aberje, a princípio a ideia é mapear e conversar com os estudantes e profissionais negros da categoria como primeiro passo para a estruturação de um comitê específico.

Então, se você precisa desenvolver um projeto de social media, conteúdo ou planejamento editorial é só entrar em contato por aqui ou no contato@taisoliveira.me. 😉

Planejamento e Diversidade na Comunicação Digital

Planejamento e comunicação digital é um tema bastante recorrente aqui no Versátil RP (ver sugestões no final do post), porém o “algo a mais” da vez é o pedido da Esamc em abordar na apresentação para a Semana de Comunicação um tópico sobre o tão aclamado e polêmico tema diversidade na comunicação. A gente já tem alguns conteúdos que versam sobre isso (links no final também), mas acho necessário dessa vez optar por uma nova provocação.

Vamos conceituar os termos. Em RP é bem comum encontrar uma conceituação e processo de planejamento da Professora Margarida Kunsch na bíblia Planejamento Estratégico de Relações Públicas na Comunicação Integrada, para ela “o planejamento constitui um processo complexo e abrangente. Possui dimensões e caraterísticas próprias, implica uma filosofia e políticas definidas e é direcionado por princípios gerais e específicos. Não é algo solto e isolado de contextos”. (KUNSCH, 2003) ). Ou seja, o planejamento estratégico de comunicação é uma pesquisa profunda e esquematizada sobre uma marca, empresa, personalidade ou instituição. É colocar no papel todo o conteúdo aprendido, e isso significa ir além do âmbito do qual irá desenvolver um trabalho. Por exemplo, o foco é em digital, mas é de suma importância saber como funciona o atendimento no balcão da loja física, ou saber como ocorrem os processos de comunicação interna.

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Entender a história, refletir no presente e planejar o futuro

Para contextualizar, a nossa primeira pauta com foco em diversidade foi a série EnegreceR[P]que aconteceu durante o novembro negro de 2015. Nesta ação, convidamos vários profissionais e estudantes negros das relações públicas para contar suas experiências, inquietações, questionamentos, trajetórias, desejos e anseios em relação ao ambiente acadêmico e ao mercado de trabalho.

Bom, vamos ao tema proposto para debate no Encontro Regional de Estudantes de Relações Públicas – 2016: Diversidade nas Organizações. A diversidade é um conceito possível de abordar a partir de múltiplos ângulos. Desde a dimensão cultural, religiosa, regional, de grupos específicos, de opiniões e assim por diante. Como dizem “vamos começar do começo”. O primeiro passo é definir o conceito de diversidade que, segundo o Dicionário Michaelis, trata-se da 1 Qualidade daquele ou daquilo que é diverso. 2 Diferença, dessemelhança: Diversidade de interpretações. 3 Variedade: Diversidade de dons.

A partir disso, vale perguntar: por que quem é considerado pertencente a um grupo de diversidade é diversidade? Por que é “diferente” e quem determinou o que é “normal”? Estando aí a diversidade, cabe a nós pensar a respeito e compreendê-la pressupõe observar, interpretar e respeitar as concepções de mundo e as vivências dos tantos grupos que compõem a sociedade. Grupos que se posicionam a partir dos hábitos adquiridos em sua cultura. Para Clifford Geertz (1989), o conceito de cultura é:

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Mulheres da comunicação e das relações públicas

Em geral, eu tenho muito medo de fazer lista, porque a gente nunca conhece todo mundo do mercado e sempre ficam bons nomes de fora. Mas neste oito de março decidi fazer uma lista de mulheres da comunicação e das relações públicas que eu tenho admirado no atual contexto. Seja por seus projetos, posicionamentos, liderança, trajetória, etc.

No que se refere à ações de comunicação, sempre vemos uma série de barbáries, geralmente por falta de conhecimento do que representa a própria data e ao que é ser mulher na sociedade. O oito de março não é uma data para comemorar ou dar flores. É uma data para pensarmos, questionarmos e provocarmos sobre onde estamos enquanto seres subjugados na sociedade, aqui sobretudo no mercado de trabalho e na academia. Temos que refletir sobre onde podemos (e devemos) chegar e como fazer tudo acontecer.

Nesta lista terão professoras, estudantes, empreendedoras, pensadoras e outras tantas mulheres que fazem coisas incríveis no que cada uma se propõe durante todo o ano e que, sem dúvida, somam na construção de um contexto mais próximo do ideal.  😉  Continue lendo

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