10 grupos e laboratórios de pesquisa sobre tecnologia, raça, gênero e comunicação

Os grupos e laboratórios de pesquisa são importantes territórios de desenvolvimento de saber, reflexões, produção e difusão acadêmica. Geralmente organizados dentro de temáticas específicas e coordenados por professores especialistas da instituição de ensino onde está alocado o grupo.

Abaixo uma lista com 10 grupos e laboratórios de pesquisa relacionados aos temas tecnologia, raça, gênero e comunicação acompanhado de links de seus respectivos sites, professores coordenadores e materiais produzidos e disponibilizados de forma gratuita, em sua maioria.

1: GIG@ – Grupo de pesquisa em Gênero, Tecnologias Digitais e Cultura

O GIG@, coordenado pela professora Graciela Natansohn, é um grupo de pesquisa associado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (PósCom/UFBA) que desenvolve pesquisa na área da interface entre a cultura, a comunicação e as tecnologias digitais. Focaliza nas relações de gênero e em como estas modelam tanto os produtos digitais, como os processos de produção, circulação, uso, consumo e transformação das inovações tecnológicas. Possui duas linhas de pesquisa principais: apropriações tecnológicas e teorias de gênero, Comunicação, representações e mídias digitais.

Conheça aqui as produções acadêmicas e baixe o livro Internet em código feminino: teorias e práticas.

2: Labic – Laboratório de estudos sobre Imagem e Cibercultura

O Labic, cujo coordenadores são os professores Adriana Ilha, Fábio Goveia, Fábio Malini e Patrick Ciarelli, é associado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Territorialidades e também ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação. O laboratório tem como missão a realização experimental de produtos digitais e a promoção de pesquisas e atividades de extensão relacionados ao impacto da cultura digital nos processos e práticas de comunicação contemporânea.

Alguns dos projetos desenvolvidos pelo Labic são o Cartografar as controvérsias na Internet e O big data dos protestos, conheça as publicações do grupo aqui.

3: LabLivre – Laboratório de Tecnologias Livres

Evento UFABC Aberta (2019) no WikLab

O LabLivre, da Universidade Federal do ABC, é um espaço de pesquisa e de articulação entre os saberes da academia e a experiência das comunidades de software livre para aprimorar processos de gestão, desenvolver e ou aperfeiçoar soluções de softwares livres para a criação e produção artística, organização e distribuição de bens culturais.

Dentre seus projetos estão o WikLab espaço físico construído no campi São Bernardo do Campo da UFABC (imagem acima), o Mapa Colaborativo das práticas de enfrentamento a Covid-19 e Governança Algorítmica.

4: DigiLabour – Grupo de pesquisa em tecnologias digitais e mundo do trabalho

O DigiLabour, que tem como coordenador o professor Rafael Grohmann, é um laboratório de pesquisa relacionado ao Mestrado e Doutorado em Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). O grupo é focado em temas trabalho em plataformas e plataformização do trabalho; cooperativismo de plataforma, autogestão e arranjo alternativos de trabalho; perfis e condições de trabalho de profissionais de comunicação e da indústria criativa; organização coletiva de trabalhadores e tecnologias digitais; algoritmos e inteligência artificial no trabalho; dataficação e vigilância no trabalho; circulação de sentidos em relação ao mundo do trabalho; materialidades do trabalho em plataformas; relações de comunicação no mundo do trabalho; circuito produção-consumo e cultura digital.

O DigiLabour também mantém uma newsletter semanal e aqui é possível conferir uma série de entrevistas com pesquisadores e outros atores relacionados às temáticas do laboratório.

5: MIDIARS – Grupo de Pesquisa em Mídia, Discurso e Análise de Redes Sociais

O MIDIARS, coordenado pelos professores Raquel Recuero, Gabriela Zago e Marco Toledo Bastas, é um grupo de pesquisa interinstitucional que tem como objetivo unir diferentes áreas de pesquisa, como a Ciência da Computação, o Design, a Ciência Política, a Linguística Aplicada e a Comunicação dentro de uma mesma perspectiva interdisciplinar de estudos de redes.

O grupo trabalha principalmente com questões relacionadas à Democracia, Eleições e Mídia Social e à Violência e Mídia Social, disponibiliza datasets de acesso aberto e aqui é possível conferir todas as publicações acadêmicas.

6: LabCom – Laboratório de Convergência de Mídias

O LabCom, da Universidade Federal do Maranhão e coordenado pelo professor Márcio Carneiro dos Santos, desenvolve projetos na fronteira entre a Comunicação e a Tecnologia orientados à pesquisa aplicada e guiados pela proposta epistemológica da Design Science. Utilizam bases tecnológicas emergentes como Realidade Aumentada, Realidade Virtual, Internet das Coisas (IoT), Big Data e Inteligência Artificial explorando sua aplicação nas Ciências Sociais e no campo da Comunicação.

O grupo desenvolveu as ferramentas LNEWS e LTWEET para a coleta de textos de sites jornalísticos ou Twitter, além disso há uma série de vídeos sobre métodos digitais.

7: GamerLab – Laboratório de pesquisa em Games, Gambiarras e Mediações em Rede

O Gamer/Lab, coordenado pelo professor José Carlos Messias, tem como objetivo se aprofundar na criatividade como forma de educação, ativismo e também de pertencimento em redes de sociabilidade. Além de games, o grupo se organiza em três linhas de pesquisa: Cognição Corporificada, Materialidades e Tecnologias da Comunicação; Crítica Pós-colonial da Ciência e Tecnologia da Mídia; e Humanidades Digitais e Letramento Midiático.

Conheça o canal do GamerLab no Youtube que tem diversas lives, principalmente do clube de leitura.

8: Coragem – Grupo de Pesquisa em Comunicação, Raça e Gênero 

O Coragem, da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenado pelos professores Laura Guimarães Corrêa e Pablo Moreno Fernandes, as temáticas do grupo foram convergindo para os estudos sobre comunicação, gênero e raça, e o nome CORAGEM vem explicitar a ênfase na pesquisa das práticas comunicativas, principalmente as midiáticas, a partir de uma abordagem interacional e interseccional.

Livro Vozes Negras em Comunicação: Mídia, racismos, resistências | Foto: Mayara Laila

Segundo a descrição na página do grupo “CORAGEM vem da raiz latina cor, a mesma de “coração”. O nome traz também a “cor” dos tons de pele, de corpos que carregam identidades, saberes e resistências. É preciso coragem para escrever do nosso ponto de vista na academia – sabemos que todo saber é localizado –, para pensar na primeira pessoa junto com quem veio antes, para ler autora/es contemporâneas e aquelas que estiveram excluídas das bibliografias há tempos”.

9: R-EST – estudos redes sociotécnicas

O R-EST, também da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenado pelo professor Carlos D’Andréa, tem como foco o estudo sobre plataformas online, algoritmos, política de dados e demais temas relacionados a partir dos Estudos de Ciência e Tecnologia. O grupo tem duas principais linhas de pesquisa, a Plataformas online, algoritmos e métodos digitais e Mídias, tecnologias e controvérsias nos esportes.

Veja abaixo a live sobre o livro Engines of Order: a mechanology of algorithmic techniques com Bernhard Rieder e clique aqui para acessar outras produções acadêmicas do grupo.

10: NeoCriativa – Grupo de Pesquisa sobre Economia Criativa

O Núcleo de Estudos e Observações em Economia Criativa, da Unesp e coordenado pelo professor Juarez Xavier, estuda a economia criativa e seus desdobramentos em quatro vertentes: artes, mídias, inovação tecnológica, patrimônio material e imaterial.

Entre as produções dos participantes do grupo estão o trabalho Quem faz Grana Preta: a assessoria de comunicação como ferramenta para potencializar arranjos produtivos locais intensos de cultura negra de Ana Carolina Moraes e Cidade quebrada: terra dividida, espaço comum de Lucas Mendes.

Nos anos de 2015 e 2017, o NeoCriativa mapeou grupos que trabalham com economia criativa na cidade de Bauru, em São Paulo. Foram identificados 53 arranjos criativos, dos quais 25 foram catalogados e fazem parte deste mapeamento.

#BlackInAI 2020: amplificando vozes de pesquisadores negros do #Neurips

Ocorreu, de modo online, entre os dia 6 e 12 de dezembro o Neurips 2020 e dentro da programação de comunidades e diversidade a 4ª edição Black in AI. O workshop teve como atividades as invited talks, contributed talks, painéis e bate-papo com profissionais e pesquisadores, além de mentorias e apresentação de posters de estudiosos de diversos países, inclusive do Brasil.

Fotos das edições anteriores | Fonte: Black In AI

Entre os palestrantees convidados estavam Muyinatu Bell, Cyril Diagne, Siobahn Day Grady que falou sobre desinformação e a professora brasileira Sônia Guimarães que apresentou sua trajetória como pesquisadora, professora do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) e as diversas iniciativas de inserção de pessoas negras na academia.

O bate-papo teve como convidado o Ramon Amaro que é Professor de Arte e Culturas Visuais do Sul Global no Departamento de História da Arte, da University College London. Neste ano, 2021, o professor lançará o livro Machine Learning, Sociogeny and the Substance of Race.

Acompanhe o Black In AI no Twitter para novidades e chamada 2021.

Cadernos Pagu publica Dossiê Tecnopolíticas de Gênero

A Revista Cadernos Pagu é parte das iniciativas de disseminação de conhecimento do Núcleo de Estudos de Gênero – Pagu da Universidade Estadual de Campinas. A publicação é quadrimestral interdisciplinar e tem como objetivo contribuir para a ampliação e o fortalecimento de estudos de gênero, sobretudo a produção realizada no Brasil com o intercâmbio de conhecimento internacional sobre a problemática.

A Edição 59 da Revista Cadernos Pagu traz o Dossiê Tecnopolíticas de Gênero com artigos com temáticas variadas a partir da discussão tecnológica e de diversas pesquisadoras do país. Dentre as publicações há, por exemplo, o artigo Tecnologias, infraestruturas e redes feministas: potências no processo de ruptura com o legado colonial e androcêntrico de Débora Prado de Oliveira, Daniela Camila de Araújo e Marta Mourão Kanashiro, Digitalizando o cuidado: mulheres e novas codificações para a ética hacker de Graciela Natansohn e Josemira Reis e Corpos transmasculinos, hormônios e técnicas: reflexões sobre materialidades possíveis de Érica Renata de Souza.

Dulci Lima e eu escrevemos o artigo Negras in tech: apropriação de tecnologias por mulheres negras como estratégias de resistência, que teve como objetivo analisar o levantamento da PretaLab sobre a inserção de mulheres negras e indígenas nas TICs. Além disso, aplicamos, a partir dos 15 projetos mencionados pelas entrevistadas, a Análise de Redes Sociais na Internet (ARS). Vimos que as mulheres negras buscam dominar as tecnologias, a fim de propor soluções para as brechas tecnológicas e fazer uso social das habilidades adquiridas.

Clique aqui para acessar o artigo

e aqui para ver o dossiê.

20 pesquisadores para acompanhar em 2021

Apesar das controvérsias, o Twitter ainda é uma excelente plataforma para conhecer pesquisadores e discussões interessantes. Pensando nestas vantagens, segue lista com 20 pesquisadores para acompanhar o trabalho e as conversas durante esse próximo ano.

1: Flavia Medeiros


2: Serge Katembera


3: Marcus Vinicius Bomfim


4: Gabriela de Almeida


5: Cristiano Rodrigues


6: Sabelo Mhlambi


7: Deen Freelon


8: Daniela Gomes


9: Jamelle Watson-Daniels


10: Mutale Nkonde


11: Seyram Avle


12: Kim Gallon


13: Christen A. Smith


14: Desmond Upton


15: Dr. Lisa B Thompson


16: Natália Neris


17: Mírian Silva


18: Gabriel Nascimento


19: Carla Vieira


20: Daiane Oliveira

APIS de visão computacional: investigando mediações algorítmicas a partir de estudos de bancos de imagens

O artigo publicado recentemente na Revista Logos é parte dos resultados do projeto Interrogating Vision APIs realizado no Smart Data Sprint 2019 e elaborado por Tarcízio Silva, André Mintz, Taís Oliveira, Helen Takamitsu, Elena Pilipets, Hamdan Azhar e Janna J. Omena.

O artigo apresenta resultados de estudo sobre Interfaces de Programação de Aplicações (API, na sigla em inglês) de visão computacional e sua interpretação de representações em bancos de imagens. A visão computacional é um campo das ciências da computação dedicado a desenvolver algoritmos e heurísticas para interpretar dados visuais, mas são ainda incipientes os métodos para sua aplicação ou investigação críticas.

O estudo investigou três APIs de visão computacional por meio de sua reapropriação na análise de 16.000 imagens relacionadas a brasileiros, nigerianos, austríacos e portugueses em dois dos maiores bancos de imagens do ocidente. Identificamos que: a) cada API apresenta diferentes modos de etiquetamento das imagens; b) bancos de imagens representam visualidades nacionais com temas recorrentes, mostrando-se úteis para descrever figurações típicas emergentes; c) APIs de visão computacional apresentam diferentes graus de sensibilidade e modos de tratamento de imagens culturalmente específicas.

Para acessar o artigo completo clique aqui.