Pra quem já mordeu um cachorro por comida…

Pra quem já mordeu um cachorro por comida, até que eu cheguei longe é nome da primeira mixtape do rapper Emicida e é também nome da antologia que celebra os 10 anos desse marco histórico no rap nacional, um projeto organizado pelo cantor e em parceria com a Laboratório Fantasma e LiteraRua.

Pois bem, estava bem plena desembarcando em Belém para o Intercom quando recebo uma notificação de dm no Twitter de nada mais nada menos que o próprio Emicida. Importante dizer o quando exatamente, pois estava recém titulada e indo apresentar um artigo sobre o resumo da minha dissertação.

Era um convite para escrever um artigo sobre minha pesquisa para compor a antologia. O livro conta com a participação de mais 54 autores, dentre os quais nomes como Roberta Estrela D’Alva, KLJay, Leci Brandão, Mel Duarte, Suzane Jardim, Dona Jacira, Jessé Souza, Caio César, Alê Santos, Nina Silva, entre outros. Meu artigo é o ‘Quando nóiz perceber o poder que tem, cuidado’, falo sobre a pesquisa em Afroempreendedorismo, economia étnica e as conexões possíveis a parte das redes.

Além dos 54 artigos, o livro é esteticamente lindo e conta com ilustrações exclusivas pensadas para cada capítulo e que referenciam cada uma das 25 músicas que compõe a mixtape. Acesse o site da Lab para saber como adquirir a obra. 🙂

Racial Literacy in Technology: The Problem of Disinformation and Hate Speech in Brazil, United States and South Africa

Bibliography

BENJAMIN, Ruha. Retomando nosso fôlego: Estudos de Ciência e Tecnologia, Teoria Racial Crítica e a imaginação carcerária. In SILVA, Tarcízio (org). Comunidades, Algoritmos e Ativismos Digitais: olhares afrodiapóricos. LiteraRua: São Paulo, 2020.

DOMINGUES, Petrônio. Movimento negro brasileiro: alguns apontamentos históricos. Tempo, v. 12, n. 23, 2007.

GERHART, Gail M. Black power in South Africa: The evolution of an ideology. Univ of California Press, 1979.

GOMES, Nilma Lino et al. Alguns termos e conceitos presentes no debate sobre relações raciais no Brasil: uma breve discussão. In: Educação anti-racista: caminhos abertos pela Lei Federal, v. 10639, n. 03, 2005.

JACCOUD, Luciana; THEODORO, Mário. Raça e educação: os limites das políticas universalistas. Ações afirmativas e combate ao racismo nas Américas, v. 1, 2005.

MORRIS, Aldon; BURNETT, Annahid. Web Du Bois no centro: da ciência, do movimento dos direitos civis, ao movimento Black Lives Matter. Revista Inter-Legere, v. 1, n. 23, p. 150-170, 2018.

MOURA, Clovis de. História do Negro Brasileiro. São Paulo: Ática, 1992.

NOGUEIRA, João Carlo; MICK, Jacques. Desenvolvimento, empreendedorismo e promoção da igualdade racial. In: NOGUEIRA, João Carlos (Org.). Desenvolvimento e empreendedorismo afro-brasileiro: Desafios históricos e perspectivas para o século 21. Florianopolis: Atilende, 2013.

SKERRETT, Allison. English teachers’ racial literacy knowledge and practice. Race Ethnicity and Education, v. 14, n. 3, p. 313-330, 2011.

TRINDADE, Luiz Valério. Mídias sociais e a naturalização de discursos racistas no Brasil. In SILVA, Tarcízio (org). Comunidades, Algoritmos e Ativismos Digitais: olhares afrodiapóricos. LiteraRua: São Paulo, 2020.

#BlackInAI: Reflexões sobre o passado, o presente e o futuro

Entre os dias 8 e 14 de dezembro acontece a 33ª #Neurips Conference (Neural Information Processing Systems) em Vancouver, Canadá. A proposta do encontro é reunir pesquisadores, profissionais e empresas para discutir inovações, tendências, aspectos éticos e políticos da área de sistemas (IA, ML, NPL, etc). O escopo do evento abarca palestras com pesquisadores, workshops, partilha de estudantes, apresentações de posteres, eventos sociais, networking e tudo o mais que um grande evento pode proporcionar.

Dentre as diversas atividades do #Neurips há um dia inteiro dedicado a discutir temas pautados em diversidades, então na segunda-feira (9/12) ocorreram os workshops específicos sobre Mulheres na Machine Learning, Latinxs na Inteligência Artificial, Queer na Inteligência Artificial, Judeus na Machine Learning, Pessoas com Deficiência na Inteligência Artificial e Black in AI. Foi por intermédio deste último, o Black In AI, que eu e um grupo de brasileiros recebemos grants para participar do evento.

Pesquisadores da UFMG, UnB, PUC/MG, UFAM, UFBA e UFABC.

Essa é a terceira vez que o Black In AI ocorre na programação do #Neurips e o grande objetivo é refletir sobre as atuais condutas e os seus processos, pensar alternativas para fatores problemáticos a partir do viés racial e imaginar ações possíveis para um futuro mais adequado em relação aos impactos sociais da tecnologia, sobretudo na Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina.

Taís Oliveira, Tarcízio Silva e Rodolfo Avelino: doutorandos do Programa de Ciências Humanas e Sociais da UFABC.

O workshop contou com breves apresentações de trabalhos desenvolvidos por pesquisadores e palestras de Elaine Nsoesie da Universidade de Boston, Sarah Menker da Gro Intelligence e Matthew Kenney da Duke University. Para encerrar o workshop esses três pesquisadores compuseram uma mesa para discutir trajetórias, contemporaneidade e perspectivas para um futuro com recortes críticos e éticos nas áreas de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina, sobretudo para diminuir consequências negativas de processos falhos.

É possível assistir as falas pela plataforma SlideLive: Matthew Kenney, Sara Menker e Elaine Nsoesie.

Em outro ambiente ocorreram as apresentações de posteres de estudantes e profissionais sobre diversos temas relacionados a aplicações e projetos nesses dois tópicos. Dentre os brasileiros que tiveram seus trabalhos expostos estavam Mírian da Silva, da UFMG com seu trabalho sobre identificação de similaridades entre sequências biológicas; Milena Tenório da UFAM sobre representação lógica; Rodrigo Martins da PUC – Minas sobre otimização de e-commerce; e Ramon Vilarino da Serasa Experian sobre explicabilidade e diversidade em escores de crédito.

O #Neurips acontece até sábado com uma programação enorme e diversa e ainda sobre o BlackInAI, na sexta-feira tem um jantar especial que contará com as presenças de Ruha Benjamin e Charity Wayua. Voltarei aqui com os updates da semana! 😉

Contornando Invisibilidades: Curadoria e Resgate de Conhecimentos Negros

Na semana passada ocorreu o curso Humanidades Digitais Negras, que teve como objetivo debater as relações étnico-raciais permeados pelo ambiente digital à luz dos estudos sobre a Black Digital Humanities. As aulas foram conduzidas por Tarcízio Silva, Morena Mariah, Larisse Pontes, Fernanda Souza e eu.

A aula Contornando Invisibilidades: Curadoria e Resgate de Conhecimentos Negros propôs a reflexão sobre como as tecnologias negras foram determinantes para o desenvolvimento econômico do país e como, na contemporaneidade, coletivos negros vêm utilizando as ferramentas tecnológicas para compartilhar conhecimentos e ideias (ideais).

Com base em trabalhos desenvolvidos desde 2017 a respeito do tema e de resultados da dissertação, foram apresentados ações de cunho político-social e perfil do movimento Afroempreendedor no Brasil.

Abaixo disponibilizo a apresentação e as referências utilizadas nesta reflexão.

Contornando Invisibilidades: Curadoria e Resgate de Conhecimentos Negros from Taís Oliveira

Tecnologias Negras serão debatidas em programação de Outubro no Sesc

A incrível programação, que ocorre em São Paulo, Grande São Paulo, interior e litoral, está dividida em cinco eixos que se relacionam com adinkras (símbolo ideográfico originário de povos da África Ocidental):

  • Sankofa Um olhar para o passado | Tecnologias Ancestrais – Tradicionais, da Palavra e Manuais
  • Nea Onnim No Sua A, Ohu Quem não sabe pode saber aprendendo | Tecnologias Digitais e Contemporâneas
  • Nyansapow Nó da sabedoria e magia | Afrofuturismos, Distopias e Utopias
  • Mpatapow Nó de reconciliação e de paz | Tecnologias Invisibilizadas e de Resistência
  • Ananse Ntontan Sabedoria, criatividade e complexidade da vida | Estética, Crítica e História da Arte
Arte por: Marcelo D’Salete 

Participo de duas atividades:

>> Estudos das relações étnico-raciais permeados por ambiente digital nas perspectivas das Humanidades digitais negras <<

Entre os dias 02 a 04 de outubro, das 19h30 às 21h30, no Centro de Pesquisa e Formação ou nas Unidades do Sesc em São Paulo a atividade conta com o seguinte percurso:

  • 2/10. Humanidades Digitais Negras: Tecnologias de Resgate com Tarcízio Silva.
  • 3/10. Contornando Invisibilidades: curadoria e resgate de conhecimentos negros com Morena Mariah e Taís Oliveira.
  • 4/10. Textualidades e Visualidades Digitais: da literatura à política da estética com Larisse Pontes e Fernanda Sousa e Silva.

>> Apropriação Cultural e Empoderamento Negro na Web <<

No dia 30/10, das 16h às 18h, no Sesc Florêncio de Abreu

O debate com Gilberto “Tensai”, Stephanie Ribeiro e Taís Oliveira sobre representatividade e o empoderamento negro possível e necessário nas mídias e redes sociais, suas perspectivas para o futuro e dificuldades enfrentadas até o momento.

Confira também:

Fique atento às datas de inscrição, pois as vagas são limitadas! 😉