Curso – Por que postamos: a antropologia das mídias sociais

O curso Por que postamos: a antropologia das mídias sociais é um material gratuito e online da UCL (University College London) via UCLeXtend. Trata-se de uma jornada de cinco semanas (mas você  pode realizar as atividades em seu tempo) para expor os resultados de pesquisas antropológicas sobre o consumo de mídias sociais realizadas em diferentes localidades do mundo (Inglaterra, Turquia, Ilha de Trinidad, Brasil, Itália, Índia, Chile, China), além desse conteúdo também tem a oferta de leituras sugeridas, vídeos, fóruns, atividades práticas e interação com os demais participantes do curso.

Cada um dos nove pesquisadores envolvidos no projeto passou 15 meses observando, conversando e descrevendo o hábito dos moradores do local escolhido para fazer o trabalho de campo. O resultado desse processo é apresentado no decorrer do curso seguindo o roteiro: O que é antropologia das redes sociais?; Qual a aparência das mídias sociais?; O impacto das mídias sociais em política e gênero? e O desafio chinês.

Infográfico sobre sociabilidade escalonável.

Com tópicos específicos sobre abordagem acadêmica em mídias sociais, visibilidade social, selfie, memes, design de plataformas, debate sobre a moral e analfabetismo, política e gênero o material traz uma provocação bastante pertinente sobre a utilização das mídias. E é curioso notar a diferença entre os contextos estudados, como na Itália e China as mulheres tiram poucas fotos de si mesmas ou de outras pessoas nos ambientes, preferem fotografar paisagens, comidas ou compartilhar memes, tudo em detrimento da moral rígida de cada região.  Continue lendo

Livro – Introdução ao pensamento complexo

Edgar Morin é parisiense, pesquisador emérito da CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique), formado em História, Geografia e Direito e, em meio a resistência nazista, migrou para Filosofia, Sociologia e Epistemologia. Seu livro Introdução ao Pensamento Complexo é uma obra de 120 páginas dividas em seis capítulos. A leitura é bastante provocativa, sobretudo ao que se refere à organização do pensamento e as consequências da não percepção da complexidade do todo. Para Edgar Morin existe na contemporaneidade do pensamento uma patologia, trata-se da hipersimplificação, o idealismo e dogmatismo que fecham as teorias nelas mesmas e as enrijecem.

Foto: Sesc São Paulo

No primeiro capítulo – A Inteligência Cega, o autor afirma que o pensamento complexo compreende saberes múltiplos como a física, a biologia e a ciência do homem, mas há uma tendência de simplificar esse conhecimento a partir da divisão do conhecimento, segundo Morin “o pensamento simplificador é incapaz de conceber a conjunção do uno e do múltiplo (unital multiplex). Ou ele unifica abstratamente ao anular a diversidade, ou, ao contrário, justapõe a diversidade sem conceber a unidade” (p. 12). Para ele é a inteligência cega que destrói as totalidades e isola os objetos do seu meio ambiente, dessa forma não existe mais reflexão e debate, mas apenas o registro em memórias informacionais manipuladas. E afirma ainda “precisamos compreender que continuamos na era bárbara das ideias. Estamos ainda na pré-história do espírito humano. Só o pensamento complexo nos permitirá civilizar nosso conhecimento” (p. 16).

Morin considera a complexidade como um tecido de “constituintes heterogêneas inseparavelmente associadas”, é um tecido formado pelas próprias ações, interações, retroações, determinações e acasos que ocorrem no mundo (o que me fez lembrar das teias de significação por Geertz, citação nesse texto). Dada tal complexidade repleta de incertezas o autor afirma que o conhecimento precisa ordenar tais fenômenos e afastar, a medida do possível, as incertezas e desordens. Ou seja, selecionar elementos, precisar, distinguir, classificar, hierarquizar e assim por diante. O autor exemplifica ainda a ideia de complexidade a partir da concepção do homem no universo natural, teoria que pode ser baseada em física, no cristianismo ou humanismo ocidental, linhas de pensamento que podem parecer antagônicas, mas que são inseparáveis, segundo o autor. Em resumo, trata-se de uma busca pela unidade da ciência, mas também de uma teoria de alta complexidade humana. Continue lendo