40º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação

Em setembro Curitiba recebe o 40º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, o Intercom. A programação conta com mesas de debates, palestras, apresentação de artigos submetidos, Expocom, Intercom Jr e com a presença de importantes referências de professores e pesquisadores da comunicação como Cicília Maria Krohling Peruzzo, Margarida Maria Krohling Kunsch, Maria Immacolata Vassallo de Lopes, Luís Alberto de Farias, Rudimar Baldissera, entre outros.

Os temas debatidos no congresso versam sobre jornalismo, relações públicas, publicidade, rádio, televisão, cinema, produção editorial e de conteúdo para mídias digitais e políticas públicas de comunicação e esses estão divididos em Grupos de Pesquisa (GP’s).

Meu artigo ‘Redes de solidariedade e indignação na internet: o caso “Liberdade para Rafael Braga”’ desenvolvido a princípio para a disciplina Sociedade da Informação: Cultura, Comunicação e Mídia na UFABC e expandido posteriormente sob orientação dos Professores Silvia Dotta e Ramatis Jacino foi aprovado no GP Comunicação e Cultura Digital. O trabalho analisa o conteúdo de algumas das principais páginas envolvidas nos protestos em relação ao caso de Rafael Braga, a exemplo da 30 dias por Rafael Braga e busca entender a motivação ideológica da solidariedade e indignação e a identificação de determinados movimentos sociais, sobretudo o movimento negro.

Os anais do evento já estão disponíveis e deixo abaixo alguns dos artigos com temática similar.

#30diasporRafaelBraga: Rede de Solidariedade e Indignação

Durante todo o mês de junho acontece na internet e em espaços físicos da cidade de São Paulo e região metropolitana a campanha #30diasporRafaelBraga organizada por de profissionais e estudiosos de diversas áreas como comunicação, história, direito, psicologia, pedagogia, entre outras.

O caso Rafael Braga tem grande relevância em alguns movimentos sociais por se tratar de um dos episódios de maior incoerência jurídica brasileira da atualidade. Esses movimentos sugerem que tais incoerências teriam como motivação o fato de Rafael ser pobre, negro, catador de recicláveis e morador de favela na cidade do Rio de Janeiro.

Apesar de não ter participado, Rafael Braga foi o único condenado em relação às manifestações populares de junho de 2013, acusado de portar material para a confecção de coquetel molotov – desinfetante e água sanitária – que posteriormente comprovou-se que o composto não é capaz de criar líquido inflamável. Para compreender o contexto, o Movimento Pela Liberdade de Rafael Braga disponibiliza em seu site uma linha do tempo com os fatos e datas que concatenam o caso.

Ao fazer uma análise da maior dentre as páginas que pautam o caso Rafael Braga, a “Pela Liberdade de Rafael Braga Vieira” com 34.488 likes, percebemos uma maior sequência de conteúdos postados e, consequentemente, maior interação no último mês (de 17/4 – 29/5). Notamos também a participação de artistas, mídias alternativas e pessoas de várias localidades, inclusive fora do Brasil, em países como Alemanha, Estados Unidos, Japão e Uruguai. O incentivo ao apoio e suporte à família de Rafael Braga também é bastante recorrente, afinal era dele que vinha parte do sustento da casa. Ou seja, a rede de solidariedade e indignação em torno do caso é grande e significativa, sobretudo a indignação por identificação que reforça  que não há nem homogeneização dos membros da nação em termos culturais e de identidade (CANCLINI, 2015) e nem em termos de justiça quando aspectos identitários são levados a júri.

Se você não está familiarizado com essa pauta, deixo abaixo dois vídeos que sintetizam os últimos anos de Rafael Braga e convido a curtir a página #30diasporRafaelBraga e acompanhar todas as ações e debates.

 

 


Bibliografia citada: 

CANCLINI. Nestor A. Diferentes, desiguais e desconectados: mapas da interculturalidade. 3ª ed. 1ª reimp. Rio de Janeiro: UFRJ, 2015.