Conteúdo on-line para fortalecer as diferenças: análise do Por Dentro da África

artigo produzido como requisito de avaliação para a disciplina Teoria Social Contemporânea no Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas e Sociais na UFABC.

 

O artigo tem como objetivo analisar o conteúdo do site Por Dentro da África a partir de Canclini (2015) a respeito da internet como objeto de pesquisa e a comunicação como um dos pilares para pensar as contradições da sociedade e afirmar diferenças. Para tanto nos apoiaremos nas concepções de globalização como um novo regime (CANCLINI, 2007), como intensificadora das relações sociais (GIDDENS, 1991) e como fábula e perversidade (SANTOS, 2001).


O recente desenvolvimento das ferramentas de comunicação tem grande importância na configuração da sociedade moderna no contexto da globalização, aqui nos interessa principalmente a possibilidade de encurtamento das relações sociais independente de proximidade geográfica, mas com cada vez mais conexões por interesses em comum e a velocidade com que as notícias transitam, ambas características possibilitadas pela rede mundial de dispositivos conectados na internet (LÉVY, 2010). Para Canclini (2007, p. 31) “as teorias comunicacionais nos lembram que a conexão e desconexão com os outros são parte da nossa constituição como sujeitos individuais e coletivos” e “já não se trata de decidir se é aceitável considerar a internet como objeto de estudo (…) será possível fazer investigação sem internet?” (2007, p.188) é a partir dessas concepções que pretendemos analisar o conteúdo do site Por Dentro da África para verificar se os mesmos são instrumentos de afirmação das diferenças. Assim como afirma Bardin (2011, p. 20) “por detrás do discurso aparente geralmente simbólico e polissêmico esconde-se um sentido que convém desvendar”.

Por “diferenças” ou “os diferentes”, Canclini (2007) afirma que são aqueles que não se enquadram nos padrões homogeneizados impostos pela globalização. Para o autor, os recursos interculturais são decisivos para construir alternativas para entender que “os diferentes são o que são, em relações de negociação, conflito e empréstimos recíprocos” (2007, p. 17) e assim criar maneiras de ressaltar suas identidades sem necessariamente adotar um padrão preconcebido pelos efeitos da globalização.

Globalização por Giddens, Canclini e Milton Santos

A globalização é um termo que carece de definição consensual, talvez por se tratar de um fenômeno em constante atualização a partir dos fatos sociais na contemporaneidade. Para Canclini (2007), a fragmentação é uma característica estrutural dos processos desse fenômeno, a globalização, portanto, se apresenta como um conjunto de processos de homogeneização e deve ser percebida como o resultado de múltiplos movimentos, em parte contraditórios, mas que formam um conjunto de narrativas. Já Giddens (1991) afirma que a globalização pode ser definida como uma intensificação das relações sociais em escala mundial. Dessa forma ela permite conexões sociais além do tempo-espaço e essas relações, por sua vez, tendem a fortalecer pressões de autonomia local e identidade cultural. Podemos falar de identidade cultural a partir do que Canclini (2007) considera diferente e que necessita ser fortalecido, para o autor demarcar a diferença é um ato básico de dignidade de determinados grupos sociais e o primeiro passo para que ela continue a existir.

Para Milton Santos (2001) a globalização tem três faces: a fábula – que prega uma suposta homogeneização e consumo; a perversa – a que vivenciamos atualmente com aumento exponencial de desemprego, pobreza, desabrigo, mortalidade infantil entre outros problemas sociais; e uma outra globalização possível, da qual o autor sugere a apropriação das bases técnicas para serviço dos fundamentos sociais e políticos. Nesse último aspecto há concordância em Giddens (2000), quando o autor afirma considerar a globalização um fenômeno novo e revolucionário, principalmente em razão da evolução dos meios de comunicação que “influenciam dramaticamente todos os aspectos da globalização desde a primeira introdução da impressora mecânica na Europa” (p. 71).

Canclini (2007) assume veementemente sua visão para analisar a globalização:

Para tratar dos processos globalizadores, deve se falar, sobretudo, de gente que migra ou viaja, que não vive onde nasceu, que troca bens e mensagens com pessoas distantes, que assiste o cinema e televisão de outros países ou conta histórias em grupo sobre o país que deixou. Gente que se reúne para celebrar alguma coisa distante ou se comunica por correio eletrônico com outras pessoas que não sabe quando irá rever. De certo modo, sua vida está em outro lugar. Quero pensar a globalização dos relatos que mostram, junto com sua existência pública, a intimidade de contatos interculturais sem os quais ela não seria o que é. Como a globalização não apenas homogeneíza e nos aproxima, mas também multiplica as diferenças e gera novas desigualdades, não se pode valorar a versão oficial das finanças e da mídia globalizada – que nos prometem a onipresença – sem ao mesmo tempo entender a sedução e o pânico de chegar facilmente a certos lugares e interagir com seres diferentes. Além do risco de nos sentirmos excluídos ou de sermos condenados a conviver com quem não queremos. Como a globalização não consiste na disponibilidade de todos para todos, nem na possibilidade generalizada de entrar em todos os lugares, é impossível entendê-la sem os dramas da interculturalidade e da exclusão, sem as agressões ou autodefesas cruéis do racismo e as disputas, amplificadas em escala mundial, para marcar a diferença entre o outro que escolhemos e o vizinho compulsório. A globalização sem a interculturalidade é “OCNI”, um objeto cultural não identificado. (p. 46)

 

A visão de Canclini sobre a globalização é que motiva a análise pretendida no artigo, buscamos verificar se o conteúdo do site Por Dentro da África contém relatos do fortalecimento de suas identidades culturais e da interculturalidade, que para Canclini trata-se da “confrontação e ao entrelaçamento, àquilo que sucede quando os grupos entram em relações e trocas” (2015, p. 17).

O site Por Dentro da África é formado por uma equipe espalhada por diversos países do continente africano como Guiné-Bissau, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e por pessoas do Brasil, Argentina, Portugal e Alemanha. Apenas para contextualizar, o continente africano, como explica Munanga (2009), tem 56 países e cerca de 600 milhões de habitantes com etnias, línguas e culturas diversas. Nem todas as pessoas que compõem o site Por Dentro da África são nativas, algumas são estudiosas de temas relacionados ao continente africano, desde política, artes, negócios, direitos humanos, negócios e meio ambiente. Pretendemos verificar se o conteúdo do site sugere proteção do idioma, da história e aspectos culturais, participação nas comunicações para proporcionar à sociedade informações e repertórios culturais.

Para tanto selecionamos 10 artigos publicados no mês de maio de 2017 no site Por Dentro da África para a análise de conteúdo. Bardin (2011) considera a análise do conteúdo um procedimento sistematizado de técnicas que visam a descrição das mensagens a partir de indicadores que propiciem a inferência de conhecimentos sobre a produção e recepção destas mensagens. Além da coleta do conteúdo e para auxiliar na análise qualitativa do material, faremos a mineração do texto com a ferramenta desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa Gtech.Edu da UFRGS para mineração de texto Sobek Mining que seleciona, a partir da leitura automática dos textos, os termos recorrentes e os apresenta em forma de grafos (LORENZATTI, 2007).

Abaixo a tabela com títulos, resumos do conteúdo, categoria central definida pelo editor do site e os principais termos minerados pela ferramenta Sobek Mining:

TÍTULO DO TEXTO RESUMO DO CONTEÚDO CATEGORIA CENTRAL PRINCIPAIS CONCEITOS
Belo Horizonte: Exposição retrata período da escravidão no Brasil Divulgação de evento sobre o período da escravidão da qual as mulheres são o tema centra. Cultura Exposição, Belo Horizonte, Lofgren e Patrícia Gouvêa, maio, período da escravidão, artistas, Isabel, Mãe Preta
Zâmbia tenta reencontrar a história em Copa do Mundo Sub-20 Divulgação da Copa do Mundo sub-20 de futebol, destaque para os times africanos. Esporte South Africa, país, fase, futebol, base, equipe, Guiné, torneio, Copa, Zâmbia, grupo, final, avançar, Sul
Eleições em Angola: Aplicativo será usado para denunciar abusos e fraudes Explica como acontecerão as eleições em Angola pelo aplicativo “zuela”. Notícias Angola, José Eduardo dos Santos, Presidente da República, direitos, presidente, processo, dados, MPLA, aplicativo, ferramenta, eleições
Rio de Janeiro recebe Fórum Itinerante de Cinema Negro Divulgação de data e programação do festival de cinema negro na cidade do Rio de Janeiro. Cultura FINCINE, filmes, Rio de Janeiro, Itinerante de Cinema Negro, mulheres, cinema
Nigéria: Relatório detalha violações contra crianças promovidas pelo Boko Haram Relata os abusos e violências sofridos por crianças na Nigéria pelo Boko Haram. Direitos Humanos Boko Haram, relatório, grupo, período avaliado, suicidas, ataques, uso de crianças, violações, Nigéria, integrantes, escolas, ataques
Agroindústria poderá expulsar camponeses de suas terras na Zâmbia Relata a possível transição de agricultura família para agroindústria o que afetará as famílias da Zâmbia. Negócios Agriculturas familiares, terras, Zâmbia, camponeses, relatora, especial, Elver, Direito
Relatório destaca os desafios da urbanização rápida em cidades africanas Relata a falta de acesso à moradia da população de Bamako em Mali. Economia Infraestrutura, Cidades, Bamako, relatório, desenvolvimento, cidades africanas, rápido, crescimento
Congolinária: “Usamos a gastronomia para contar a nossa história”, diz Pitchou Luambo Conta a história do congolês refugiado no Brasil que montou um restaurante de culinária típica de seu país para assegurar suas raízes. Cultura República Democrática do Congo, campanha, anos, Congolinária, animais, direitos, Pitchou, projeto, terra, Brasil, defesa, cultura, mulheres, congolesa, comida, advogado, história, congolês
“Pintar permite reivindicar questões abandonadas pelos líderes”, diz Roberto Mendes Entrevista com o artista plástico de Guiné Bissau que conta como usa a arte para emitir críticas sociais. Cultura Guiné Bissau, trabalho, Robert, poesia, anos, cultura, pintura, Portugal, guineense, poeta, Guiné, artista, Malangatana, artísticas
Brasil: ONU e sociedade civil pedem sanção sem vetos da Lei de Migração Relato sobre posição favorável da ONU e de diversos grupos da sociedade civil em relação à Lei de Migração no Brasil. Direitos Humanos Organização, Internacional, entidade, direitos humanos, Brasil, migrante, Migrações, Migração, refúgio, legislação, pessoas, nova lei, Lei, projeto, regularização, migratória

Como podemos notar na tabela a categoria central por mais vezes abordada foi cultura (4), seguidos de direitos humanos (2), esporte (1), economia (1), notícias (1) e negócios (1). Quando o assunto é direitos humanos as questões levantadas tratam dos problemas de suprimentos básicos da população como eleições, moradia, proteção aos direitos e segurança das famílias e das crianças e de leis sobre migrantes e refugiados em outros continentes, como no caso da Lei do Migrante debatida recentemente no Brasil. A partir das palavras mineradas pelo Sobek Mining podemos verificar como cidades, países e nomes de pessoas são citadas nos textos e ainda o destaque e frequência de termos como “período da escravidão”, “cultura” e “história”, podemos verificar então, que o conteúdo reforça a ideia de identidade e diferença levantada por Canclini (2015).

Além disso, podemos verificar as características da globalização levantadas pelos autores aqui citados, tais como intensificação das relações sociais (GIDDENS, 1991) – na medida em que o site Por Dentro da África desenvolve uma rede de pessoas de várias localidades e contextos para abordar temas relacionados a um continente específico; a globalização como fábula e perversidade (SANTOS, 2001) – pois o conteúdo destaca problemas sociais provavelmente causados por questões econômicas e de consumo como nos textos sobre violência contra crianças, acesso à moradia, agroindústria e a lei de migração.

No conteúdo sobre migrantes e refugiados, “Brasil: ONU e sociedade civil pedem sanção sem vetos da Lei de Migração” e “Congolinária: ‘Usamos a gastronomia para contar a nossa história’, diz Pitchou Luambo” respectivamente, podemos notar o que Canclini diz sobre falar de “gente que migra ou viaja, que não vive onde nasceu, que troca bens e mensagens com pessoas distantes” (2007, p. 46) para debater a globalização e entender como tais pessoas vivem e sobrevivem a questões como racismo, preconceitos, saudade do país e da família, reforço e resistência cultural.

É possível concluir, portanto, que a comunicação, a internet e a tecnologia apropriadas por determinados grupos sociais podem ser utilizadas para desenvolver uma outra globalização possível, assim como almejava Milton Santos. A partir do conteúdo disponibilizado no site Por Dentro da África se estabelece relações de interesses em comum, como pessoas do continente africano, residentes ou os migrantes em outros países, que buscam reafirmar sua identidade cultural ou até mesmo afrodescendentes que pretendem conhecer suas raízes. Dessa forma, o conteúdo on-line contribui para a constituição do indivíduo e do coletivo.

Em relação ao questionamento levantado por Canclini em “será possível fazer investigação sem internet?” (2007, p.188), podemos perceber a internet e a maneira como ela é utilizada é de grande valia para pesquisas nos mais variados campos do saber. Assim podemos considerá-la um campo repleto de informação a serem observadas e interpretadas.

Como funciona o Sobek Mining

A princípio a ferramenta tem como objetivo apoiar atividades educacionais sobre leitura e escrita. Basta copiar o conteúdo, colar na área de transferência e clicar em enviar. Então, na medida em que se extrai dos textos seus principais conceitos é possível utilizar de forma pedagógica o confronto da compreensão pelos diagramas gerados no Sobek.

Abaixo alguns exemplos das redes de alguns textos analisados no artigo (clique em ‘abrir em nova aba’ para visualizar melhor).

Exemplo da rede de palavras do texto ‘Zâmbia tenta reencontrar a história em Copa do Mundo Sub-20’.

Exemplo da rede de palavras do texto ‘Brasil: ONU e sociedade civil pedem sanção sem vetos da Lei de Migração’.

Exemplo de rede de palavras do texto ‘Relatório destaca os desafios da urbanização rápida em cidades africanas’.

 

Suponho que também é possível utilizar a ferramenta para outros fins, como a própria análise do conteúdo proposto no presente artigo e até estratégia de produção editorial, como extrair de um manual da marca os principais conceitos a serem produzidos para uma determinada ação nas mídias sociais.

Bibliografia

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. 1ª ed. 1ª reimp. São Paulo: Edições 70, 2011.

CANCLINI, Nestor A. A Globalização Imaginada. 1ª reimp. São Paulo: Iluminuras, 2007.

__________, Nestor A. Diferentes, desiguais e desconectados: mapas da interculturalidade. 3ª ed. 1ª reimp. Rio de Janeiro: UFRJ, 2015.

GIDDENS, Anthony. As consequências da Modernidade. São Paulo: Unesp, 1991.

_________, Anthony. Mundo em Descontrole. Rio de Janeiro: Record, 2000.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. 3ª ed. São Paulo: 34, 2010.

LORENZATTI, A. Sobek: uma ferramenta de Mineração de Textos. Trabalho de Conclusão de Curso. Caxias do Sul: departamento de Informática/UCS, 2007.

MUNANGA, Kabengele. Origens africanas do Brasil contemporâneo. São Paulo: Global, 2009.

SANTOS, Milton. Por uma outra Globalização – do pensamento único à consciência universal. 6ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2001.


Como citar esse artigo:

OLIVEIRA, Taís. Conteúdo on-line para fortalecer as diferenças: análise do Por Dentro da África. Disponível em: <http://taisoliveira.me/analise-conteudo-sobek-mining/>

Related Post

Novos rumos, internet, empreendedorismo e diversidade

Já iniciei os trabalhos de 2017, mas é válido contextualizar a transição de caminhos. Primeiramente, para quem está acostumado a me ler e atuar pelo Versátil RP, eu continuo lá mesmo com o blog pessoal e muito provavelmente encabeçando um projeto bem bacana, conto mais abaixo.

Algumas mudanças aconteceram em decorrência do mestrado. Desde de 2015 venho me preparando para ingressar no curso. Estudando as bibliografias, redigindo o projeto de pesquisa e sendo reprovada na primeira seleção para aprender com os erros, rsss.

Pois bem, objetivo alcançado. A partir de fevereiro ingresso no Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas e Sociais na UFABC, linha de pesquisa Cultura, Comunicação e Dinâmica Social. Meu projeto, a princípio, é sobre o movimento afroempreendedor na internet/redes sociais.

Porém, com esse passo dado tive que abrir mão do mercado como empregada e passo a atuar como autônoma para flexibilizar meus horários com a demanda, os compromissos e exigência do programa. Portanto, estou disponível caso precisem de uma relações-públicas e social media. Meu portfólio pode ser visto aqui. 🙂

Sobre internet, empreendedorismo e diversidade

O empreendedorismo está na veia da família que sempre precisou “fazer um por fora” para pagar todas as contas, trabalho com internet desde 2009 e diversidade tem sido um tema de aprofundamento nos últimos dois anos, sobretudo ao que se refere à mulher e negritude. Logo, juntar tudo isso no desenvolvimento da minha carreira foi um resultado até natural.

Além do tema do projeto de pesquisa que versa basicamente nesses três pilares, também tenho direcionado a atuação técnica nesse sentido. Alguns exemplos de projetos/trabalhos bem legais que harmonizam esse foco:

Fabio Henrique, profissional do audiovisual

Nesse trabalho fizemos a identidade visual (criação gráfica com a First), reestruturação das mídias sociais, planejamento editorial, produção e execução de conteúdo. O Fabio também tem foco em diversidade nos projetos dos quais participa, como a série de vídeos de artistas e as indicações de profissionais durante o novembro negro.

Crowdfunding Flores de Baobá

Dirigido por Gabriela Watson o Flores de Baobá é um documentário que trata da desigualdade no acesso à educação nas comunidades negras. Para abordar o assunto o enredo do documentário acompanha a trajetória de duas educadoras: Nyanza Bandele na Filadélfia e Priscila Dias em São Paulo. Integro a equipe de comunicação responsável pela campanha de crowdfunding no Catarse que tem por objetivo de obter verba para a finalização do documentário.

Comitê de enfrentamento ao racismo

A partir da necessidade de debater a questão do racismo dentro no universo da comunicação e das relações públicas apresentei essa proposta na última plenária do Conrerp/2. Inspirado no comitê do conselho de psicologia e no comitê de diversidade da Aberje, a princípio a ideia é mapear e conversar com os estudantes e profissionais negros da categoria como primeiro passo para a estruturação de um comitê específico.

Então, se você precisa desenvolver um projeto de social media, conteúdo ou planejamento editorial é só entrar em contato por aqui ou no contato@taisoliveira.me. 😉

Planejamento e Diversidade na Comunicação Digital

Planejamento e comunicação digital é um tema bastante recorrente aqui no Versátil RP (ver sugestões no final do post), porém o “algo a mais” da vez é o pedido da Esamc em abordar na apresentação para a Semana de Comunicação um tópico sobre o tão aclamado e polêmico tema diversidade na comunicação. A gente já tem alguns conteúdos que versam sobre isso (links no final também), mas acho necessário dessa vez optar por uma nova provocação.

Vamos conceituar os termos. Em RP é bem comum encontrar uma conceituação e processo de planejamento da Professora Margarida Kunsch na bíblia Planejamento Estratégico de Relações Públicas na Comunicação Integrada, para ela “o planejamento constitui um processo complexo e abrangente. Possui dimensões e caraterísticas próprias, implica uma filosofia e políticas definidas e é direcionado por princípios gerais e específicos. Não é algo solto e isolado de contextos”. (KUNSCH, 2003) ). Ou seja, o planejamento estratégico de comunicação é uma pesquisa profunda e esquematizada sobre uma marca, empresa, personalidade ou instituição. É colocar no papel todo o conteúdo aprendido, e isso significa ir além do âmbito do qual irá desenvolver um trabalho. Por exemplo, o foco é em digital, mas é de suma importância saber como funciona o atendimento no balcão da loja física, ou saber como ocorrem os processos de comunicação interna.

Continue lendo

Related Post

Entender a história, refletir no presente e planejar o futuro

Para contextualizar, a nossa primeira pauta com foco em diversidade foi a série EnegreceR[P]que aconteceu durante o novembro negro de 2015. Nesta ação, convidamos vários profissionais e estudantes negros das relações públicas para contar suas experiências, inquietações, questionamentos, trajetórias, desejos e anseios em relação ao ambiente acadêmico e ao mercado de trabalho.

Bom, vamos ao tema proposto para debate no Encontro Regional de Estudantes de Relações Públicas – 2016: Diversidade nas Organizações. A diversidade é um conceito possível de abordar a partir de múltiplos ângulos. Desde a dimensão cultural, religiosa, regional, de grupos específicos, de opiniões e assim por diante. Como dizem “vamos começar do começo”. O primeiro passo é definir o conceito de diversidade que, segundo o Dicionário Michaelis, trata-se da 1 Qualidade daquele ou daquilo que é diverso. 2 Diferença, dessemelhança: Diversidade de interpretações. 3 Variedade: Diversidade de dons.

A partir disso, vale perguntar: por que quem é considerado pertencente a um grupo de diversidade é diversidade? Por que é “diferente” e quem determinou o que é “normal”? Estando aí a diversidade, cabe a nós pensar a respeito e compreendê-la pressupõe observar, interpretar e respeitar as concepções de mundo e as vivências dos tantos grupos que compõem a sociedade. Grupos que se posicionam a partir dos hábitos adquiridos em sua cultura. Para Clifford Geertz (1989), o conceito de cultura é:

Continue lendo

Related Post

EnegreceR[P] – Precisamos falar do público negro

Desde 2008, quando iniciei a graduação, e mais especificamente em 2009, quando decidimos ter um blog sobre relações públicas, nunca vi nenhuma ação, debate ou evento no Novembro Negro ou em qualquer outro período do ano que abordasse a questão dos profissionais e estudantes negros das relações públicas (se tiver algum que passou batido, me avisem, por favor). Pela primeira vez, em seis anos de Versátil RP, vamos enegrecer esse espaço.

As motivações são muitas, a começar pela minha úlcera que ataca cada vez que leio ou vejo os colegas definindo apontamentos racistas como “mimimi” e “vitimismo”. Sempre me pergunto qual a utilidade dos dois anos de base humanística da Comunicação Social para um “profissional” ter uma concepção tão simplória de uma questão profunda e estrutural. Além dessa motivação, em 2014 um colega RP me chamou inbox no Facebook para contar uma situação racista que ele tinha passado e isso me fez repensar muitas situações. Outro ponto este ano participei de um processo seletivo em uma empresa X, nos dias que estive lá fiz o famoso “teste do pescoço” e não vi um negro nos departamentos administrativos e de comunicação, além de eu ser a única negra participando da seleção e, mesmo com todos os pré-requisitos, não fui sequer notificada sobre o fim do processo seletivo (concluam vocês).

Juntando tudo isso, íamos aplicar uma pesquisa para mapear e entender esse público – os profissionais e estudantes negros das relações públicas. Porém, seria algo complexo e que não estávamos totalmente preparados por se tratar de um nicho muito específico, além do nosso cronograma estar bem cheio. Logo, optamos por propor essa provocação ao mercado, aos colegas, às entidades de classe e às universidades no mês da consciência negra, e quem sabe no próximo ano podemos até pensar juntos ações para abordar essa temática? Continue lendo

Related Post