Diversidade étnica nos bancos de imagens, conheça o Nappy

Há cerca de um ano o Desabafo Social promoveu uma campanha de conscientização, questionamento e provocação sobre a homogeneização dos bancos de imagem. Depois da repercussão, o Shutterstock incluiu no mecanismo de busca um filtro de cor/etnia.

Porém, ainda hoje, sobretudo em plataformas gratuitas de bancos de imagens, é muito difícil encontrar diversidade e principalmente pessoas negras nas fotos. Para nós, profissionais de conteúdo e social media, é um desafio constante desenvolver um material próximo da realidade brasileira composta por uma população 54% negra.

Outro dia em conversa com amigas, a Nathália Alves indicou o Nappy, banco free com modelos negros em diversas situações.

No descritivo do site os criadores (que também são idealizadores da agência Shade) explicam:

Eu amo Unsplash, Pexels e Shot Stash, mas uma das coisas que notei é que todo o conteúdo deles poderia usar um pouco mais de diversidade. […] somos muito intencionais sobre a representação cultural no trabalho que fazemos. E por isso, nem sempre conseguimos encontrar as fotos que precisamos desses sites. […] Por exemplo, se você digitar a palavra “café” no Unsplash, raramente verá uma xícara de café sendo segurada por mãos pretas. É o mesmo resultado se você digitar termos como “computador” ou “viajar”. Você pode encontrar uma ou duas imagens, mas elas são muito raras. Mas os negros também bebem café, usamos computadores e certamente amamos viajar.

 

Considero essas iniciativas de extrema importância, ainda mais num contexto em que a diversidade têm se tornado pauta de forma relativamente massiva.

‘Mulheres que inspiram’ via República da Comunicação

Recentemente tive a honra de participar da série ‘Mulheres que Inspiram’ do pessoal da República da Comunicação/RP Manaus. A série tem como objetivo conversar com várias mulheres de realidades e profissões diferentes.

Falei sobre carreira, racismo, machismo, relações públicas, entre outras coisas. Então para quem quiser ler, clica aqui! 😉

 

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Livro – Diferentes, Desiguais e Desconectados

O livro Diferentes, Desiguais e Desconectados (3ª edição, 2009) é uma obra do antropólogo argentino Néstor García Canclini, autor que tem um vasto repertório nos estudos culturais e trabalha principalmente com foco na América Latina. Nesse texto, especificamente, ele trata da multiculturalidade e da interculturalidade dos povos latino-americanos no contexto da globalização e a partir daí discute como as diferenças geram desigualdades e desconexões.

O livro levanta questões acerca dos novos arranjos sociais em decorrência da globalização e vai na contramão da homogeneização da sociedade pregada por entusiastas da “pós-modernidade”, busca encontrar caminhos a partir do saber interdisciplinar (antropologia, sociologia e comunicação) como artefato para reconhecer as diferenças, corrigir as desigualdades e entender como conectar as maiorias às redes globalizadas. Canclini, além de focar nos povos latino-americanos, deixa claro já no início do texto que tem como autores de referência Pierre Bourdieu, Clifford Geertz e Paul Ricoeur, tanto que o terceiro capítulo ele faz uma análise das ideias de Geertz e Bourdieu.

Na introdução ele discute bastante a questão da identidade e define multiculturalidade e interculturalidade, a primeira trata da justaposição de etnias ou grupos em uma cidade ou nação e supõe aceitação do heterogêneo, já a segunda “implica que os diferentes são o que são, em relações de negociação, conflito e empréstimos recíprocos” (p. 17), ou seja, não há (ou não deveria) existir a necessidade de “aceitar” ou o famoso “tolerância” aos diferentes, mas apenas as relações entre grupos diferentes de forma natural.

“As teorias comunicacionais nos lembram que a conexão e desconexão com os outros são parte da nossa constituição como sujeitos individuais e coletivos. Portanto, o espaço inter é decisivo. Ao postulá-lo como centro das investigações e da reflexão, estas páginas buscam compreender as razões dos fracassos políticos e participar da mobilização de recursos interculturais para construir alternativas”. (p. 31)

Por várias Canclini critica a unicidade e o universalismo epistemológico de cultura do “pós-modernismo”, no segundo capítulo o autor propõe uma conceituação de cultura com a preocupação nas diferenças, então afirma que que “cultural” seria o termo mais adequado, pois mesmo indo na contramão ou além da definição de cultura por Geertz “um sistema de significados”, o termo enquadrado no adjetivo faria mais sentido enquanto recurso para os diferentes, afirma ser o cultural um “choque de significados nas fronteiras; como a cultura pública que tem sua coerência textual mas é localmente interpretada; como redes frágeis de relatos e significados tramados por atores vulneráveis em situações inquietantes; como as bases da agência e da intencionalidade das práticas sociais correntes” (citando Ortner na p. 48).

Tela do seminário sobre o texto para a disciplina de Sociedade da Informação: Cultura, Comunicação e Mídia na UFABC | Por Bruno Giordano e Taís Oliveira

Para falar de identidade, apropriação e consumo de bens culturais, Canclini aborda o conceito de sociossemiótica da cultura que é o processo de produção, circulação e consumo de significações na vida social e das quatro tendências da cultura como processo sociomaterial e significante: 1) cultura em que cada grupo organiza sua identidade; 2) cultura como uma instancia simbólica da produção e reprodução da sociedade; 3) cultura como uma instancia da conformação do consenso e da hegemonia; e 4) cultura como dramatização eufemizada dos conflitos sociais.

Para o autor a globalização neoliberal mais do que resolver põe em evidencia as dificuldades que persistem quando se quer articular diferenças, desigualdades, procedimentos de inclusão-exclusão e as formas atuais de exploração e reafirma que a problemática da desigualdade econômica reside principalmente nos processos históricos da configuração social. E observa, sobretudo, a demanda étnico-política dos que desejam ser reconhecidos nas suas diferenças e viver em condições menos desiguais. O principal questionamento é como converter em fortaleza esse desencontro entre afirmação e diferença e impugnações à desigualdades?

Na segunda parte do livro o autor foca em falar com mais ênfase na América Latina, então fala sobre nominalismo, ou melhor, a falta de um nome único para as várias culturas latinas. E guia parte das páginas seguintes a partir das seguintes questões: Como ir além de definições ingênuas da subjetividade para construir um trabalho sólido para cidadanias possíveis? Que tarefas de investigações teóricas e políticas são necessárias? Como ser representados enquanto sujeito numa dominação completa da mídia? Como ser receptores ativos?

Tela do seminário sobre o texto para a disciplina de Sociedade da Informação: Cultura, Comunicação e Mídia na UFABC | Por Bruno Giordano e Taís Oliveira

Canclini traz de maneira brilhante críticas ao conceito de pós-moderno, fala da situação dos migrantes em contra-ponto aos nômades por escolha (ou os mais conhecidos atualmente por nômades digitais), fala também dos processos interculturais e das leis de proteção social que não acompanham a abertura cultural da condição globalizada, aborda a questão do lugar de fala e da necessidade de ir além do ponto de vista das elites do conhecimento. Isso tudo para tentar traçar uma reflexão sobre como a globalização pode ser menos excludente e a respeito da necessidade de políticas regionais e mundiais para a garantia da diversidade cultural.

Novos rumos, internet, empreendedorismo e diversidade

Já iniciei os trabalhos de 2017, mas é válido contextualizar a transição de caminhos. Primeiramente, para quem está acostumado a me ler e atuar pelo Versátil RP, eu continuo lá mesmo com o blog pessoal e muito provavelmente encabeçando um projeto bem bacana, conto mais abaixo.

Algumas mudanças aconteceram em decorrência do mestrado. Desde de 2015 venho me preparando para ingressar no curso. Estudando as bibliografias, redigindo o projeto de pesquisa e sendo reprovada na primeira seleção para aprender com os erros, rsss.

Pois bem, objetivo alcançado. A partir de fevereiro ingresso no Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas e Sociais na UFABC, linha de pesquisa Cultura, Comunicação e Dinâmica Social. Meu projeto, a princípio, é sobre o movimento afroempreendedor na internet/redes sociais.

Porém, com esse passo dado tive que abrir mão do mercado como empregada e passo a atuar como autônoma para flexibilizar meus horários com a demanda, os compromissos e exigência do programa. Portanto, estou disponível caso precisem de uma relações-públicas e social media. Meu portfólio pode ser visto aqui. 🙂

Sobre internet, empreendedorismo e diversidade

O empreendedorismo está na veia da família que sempre precisou “fazer um por fora” para pagar todas as contas, trabalho com internet desde 2009 e diversidade tem sido um tema de aprofundamento nos últimos dois anos, sobretudo ao que se refere à mulher e negritude. Logo, juntar tudo isso no desenvolvimento da minha carreira foi um resultado até natural.

Além do tema do projeto de pesquisa que versa basicamente nesses três pilares, também tenho direcionado a atuação técnica nesse sentido. Alguns exemplos de projetos/trabalhos bem legais que harmonizam esse foco:

Fabio Henrique, profissional do audiovisual

Nesse trabalho fizemos a identidade visual (criação gráfica com a First), reestruturação das mídias sociais, planejamento editorial, produção e execução de conteúdo. O Fabio também tem foco em diversidade nos projetos dos quais participa, como a série de vídeos de artistas e as indicações de profissionais durante o novembro negro.

Crowdfunding Flores de Baobá

Dirigido por Gabriela Watson o Flores de Baobá é um documentário que trata da desigualdade no acesso à educação nas comunidades negras. Para abordar o assunto o enredo do documentário acompanha a trajetória de duas educadoras: Nyanza Bandele na Filadélfia e Priscila Dias em São Paulo. Integro a equipe de comunicação responsável pela campanha de crowdfunding no Catarse que tem por objetivo de obter verba para a finalização do documentário.

Comitê de enfrentamento ao racismo

A partir da necessidade de debater a questão do racismo dentro no universo da comunicação e das relações públicas apresentei essa proposta na última plenária do Conrerp/2. Inspirado no comitê do conselho de psicologia e no comitê de diversidade da Aberje, a princípio a ideia é mapear e conversar com os estudantes e profissionais negros da categoria como primeiro passo para a estruturação de um comitê específico.

Então, se você precisa desenvolver um projeto de social media, conteúdo ou planejamento editorial é só entrar em contato por aqui ou no contato@taisoliveira.me. 😉

Planejamento e Diversidade na Comunicação Digital

Planejamento e comunicação digital é um tema bastante recorrente aqui no Versátil RP (ver sugestões no final do post), porém o “algo a mais” da vez é o pedido da Esamc em abordar na apresentação para a Semana de Comunicação um tópico sobre o tão aclamado e polêmico tema diversidade na comunicação. A gente já tem alguns conteúdos que versam sobre isso (links no final também), mas acho necessário dessa vez optar por uma nova provocação.

Vamos conceituar os termos. Em RP é bem comum encontrar uma conceituação e processo de planejamento da Professora Margarida Kunsch na bíblia Planejamento Estratégico de Relações Públicas na Comunicação Integrada, para ela “o planejamento constitui um processo complexo e abrangente. Possui dimensões e caraterísticas próprias, implica uma filosofia e políticas definidas e é direcionado por princípios gerais e específicos. Não é algo solto e isolado de contextos”. (KUNSCH, 2003) ). Ou seja, o planejamento estratégico de comunicação é uma pesquisa profunda e esquematizada sobre uma marca, empresa, personalidade ou instituição. É colocar no papel todo o conteúdo aprendido, e isso significa ir além do âmbito do qual irá desenvolver um trabalho. Por exemplo, o foco é em digital, mas é de suma importância saber como funciona o atendimento no balcão da loja física, ou saber como ocorrem os processos de comunicação interna.

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