#diadasmulheres | Já leu uma mulher hoje?

O Dia Internacional das Mulheres é o dia oficial dos clichês, por mais que todos os anos nós falemos sobre isso e sobre quais atitudes esperadas sempre vemos o mais do mesmo do show do horror. E aí fazemos o clássico esforço de aproveitar o buzz da data para fortalecer e divulgar o trabalho de mulheres.

Esse ano preparei uma lista com autoras das quais indico contato com a obra, sejam dos livros físicos, dos artigos, pelas poesias ou pelos posicionamentos nas redes sociais.

Carolina Maria de Jesus – mulher negra, foi moradora da favela do Canindé em São Paulo, viveu entre 1914 e 1977, catadora de papelão e mãe de três filhos. Foi para escola com auxílio de um magnata que quis ajudar as crianças pobres do bairro em Minas Gerais. Permaneceu lá apenas até a segunda série, mas aprendeu a ler e escrever. Já em São Paulo, quando encontrava cadernos guardava-os para escrever e assim fazia, principalmente sobre o cotidiano na favela. Carolina é considerada a primeira escritora negra brasileira, sua obra mais conhecida é o Quarto de Despejo que trata sobre a narrativa da favela do Canindé e seu dia-a-dia de trabalho para garantir a sobrevivência da família.

Jarid Arraes – nascida no Ceará, atualmente mora na cidade de São Paulo onde mantêm projetos como Terapia Escrita, Clube da Escrita Para Mulheres e o Clube Leitura Independente. Tem mais de 60 títulos, sendo o mais atual o As Lendas de Dandara. Também tem material produzido para a Artigo 19 e Think Olga.

Maria Clara Araújo – mulher, trans, pobre e negra, cursa Pedagogia pela Federal de Pernambuco onde teve que se matricular com o nome civil e precisou lutar pelo direito de usar o nome social. Ela traz textos excelentes nas redes sociais, tem alguns artigos científicos publicados e escreve no Blogueiras Negras, dentre os vários textos o de maior repercussão é o Por que os homens não estão amando as mulheres trans?

Mel Duarte – paulistana, poetisa e ativista cultural, integrante do Coletivo Ambulantes e do Slam das Minas. Na abertura da Flip 2016, Mel Duarte representou a comunidade de escritoras(es) negras(os) endossando por meio da poesia os protestos pela baixa representatividade do evento. Possui dois livros publicados, sendo o mais recente o Negra Nua Crua.

Sueli Carneiro – é doutora em Educação pela USP e diretora do Geledés Instituto da Mulher Negra. Teórica sobre as questões da mulher negra, também teve (e tem) forte influência em movimentos políticos, sobretudo no estado de São Paulo. Além disso, é autora do livro Racismo, Sexismo e Desigualdade no Brasil que reúne uma coletânea de vários dos seus artigos.

Luana Protazio – tem 20 anos, reside em Bauru (interior de SP), estudante de relações públicas e integrante dos movimentos de hip hop da cidade. Luana é idealizadora e autora no blog Elogie Uma Irmã Negra que traz periodicamente textos de análises e críticas excelentes. Um dos mais atuais e importantes temas fala do racismo no carnaval no artigo Tire o seu racismo da folia.

Suzane Jardim – é historiadora e pesquisadora, sobretudo em temáticas sobre a História Negra. Nas redes sociais e em outras plataformas trata com muito didatismo temas polêmicos sobre questões atuais dos movimentos feminista e negro. Recentemente teve análise publicada no Jornal Nexo sobre documentários que tratam de racismo e violência policial.

Conceição Evaristo – mineira de Belo Horizonte, sua mãe era lavandeira e assim como Carolina Maria de Jesus mantinha um diário para escrever sobre seu dia-a-dia. Quando jovem, Conceição trabalhava como empregada doméstica para se manter. Mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar Letras na UFRJ, depois tornou-se mestre em Literatura Brasileira (PUC/RJ) e doutora em Literatura Comparada (UFF). Entre suas obras, a mais recente é Olhos D’água, uma ficção que trata da pobreza e violência do urbana da população negra.

Aproveitando que citei o boicote à Flip 2016, em junho do ano passado presenciei lá na SOF um ótimo bate-papo sobre mulheres negras na literatura, pautado justamente por essa ocasião. Nessa noite estiveram presentes Miriam Alves, Bianca Santana e Jenyffer Nascimento e o vídeo está completo no youtube. <3

Uma ideia sobre “#diadasmulheres | Já leu uma mulher hoje?

  1. mi orgullo de sentirme mujer, se fortifica luego de leer la historia de estas mujeres que luchan por sus derechos, desde uruguay un abrazo a todas las mujeres cimarronas, que no permiten que la cultura impuesta borre su hacer….

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