2018: here we go again

Pós festas, carnaval e tudo mais que o começo do ano nos permite (ou nos impede): here we go again compartilhar conteúdo, ideia, dicas, eventos etc.

Primeiramente, vale lembrar que aqui na página posts tem a lista de todos os conteúdos já compartilhados aqui no blog e aqui nos slides tem todo material dado nas minhas palestra e oficinas.

Outro ponto importante de ressaltar é que quando não teve conteúdo aqui, é por que teve em outros lugares, como mapeamento de públicos e análise de redes, relações públicas na América LatinaLei de Acesso à Informação, sobre as ferramentas Sobek Mining e a StArt. Lá no Versátil RP (que está de cara nova) teve a repercussão no Twitter do caso LAI no município de São Paulo e um post especial para dia interamericano das relações públicas em parceria com Diego Galofero.

 

É novidade que você quer @? 

A primeira novidade é que curso sobre Planejamento Estratégico em Comunicação e Mídias Sociais está na agenda permanente do Lobo Criativo. Essa atividade, que já acontece a algum tempo, será toda remodelada com conteúdo novo, atividades, ferramentas e referências em dobro. O curso tem como público foco estudantes, recém-formados e empreendedores que queiram entender mais dessa parte do trabalho de comunicação. Quem tiver interesse ou quiser mais informações, manda e-mail para falecom@lobocc.com.br que o pessoal do Lobo vai tirar todas as dúvidas.

 

Novidade número dois é que o curso sobre a Lei de Acesso à Informação terá uma versão online pelo IBPAD. Essa atividade é baseada na LAI (como nas oficinas que aconteceram ano passado) e com foco de público em comunicadores (jornalistas, relações-públicas, publicitários, etc), cientistas sociais e demais pesquisadores interessados em conhecer o funcionamento básico da Lei de Acesso à Informação como recurso de levantamento de dados públicos. Informação importante, esse curso será oferecido de forma gratuita e a lista de espera já está aberta, acesse aqui para se inscrever.

 

Bom, esse primeiro post do ano foi para relembrar o que aconteceu em 2017 e para contextualizar todo trabalho que está sendo desenvolvido (e que também conta com a fase de escrita da minha dissertação) esse ano! Aproveito para desejar a todos um excelente período e que possamos trocar muitas figurinhas por aqui e nos demais espaços. 🙂

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Black Money, afroempreendedorismo e economia étnica

Na minha dissertação estudo afroempreendedorismo [nas mídias sociais] a partir da perspectiva de economia étnica (o sociólogo Ivan Light da Universidade da California é a referência aqui). Logo, em algum momento vou ter que contextualizar o “Black Money”, mas eu ainda não cheguei num nível de aprofundamento pra contribuir de forma efetiva nesse debate.

Mas de economia étnica posso dar uns pitacos. Economia étnica é o esforço coletivo de fazer circular não só o dinheiro, mas empregabilidade e oportunidades de crescimento profissional num determinado grupo étnico, em geral grupos que imigraram.

Dando um breve search no Google Acadêmico por “economia étnica” é possivel encontrar diversos artigos (a UFSCAR tem um trabalho enfático no tema), mas com foco em armênios, italianos, espanhóis, japoneses, chineses, se pah dá pra encontrar até de marcianos, jupiterianos, etc.

Mas a perspectiva dessa análise com foco em negros é inexistente. Primeiro, do meu ponto de vista, pq quando nos estudam só focam nas nossas dores, no racismo, na violência, na pobreza, etc. Segundo, pq nós não migramos, nós fomos sequestrados e escravizados pra gerar riqueza para outros grupos étnicos. Desse ponto de vista pode haver um conflito com a teoria (e a gente tá aqui é pra conflitar mesmo), mas nos demais aspectos, sobretudo no sentido de comunidade, a economia étnica faz bastante sentido no contexto que venho observando nas atuais movimentações de afroempreendedorismo.

Eu concordo que é um pouco inviável querer aplicar o “Black Money” dos EUA aqui. Os contextos são diferentes, o nosso próprio entendimento de negritude não é maduro, nós temos problemas sociais básicos sem uma perspectiva de resolução, nós temos um extermínio da população negra em curso, nós estamos vivenciando um retrocesso de todas as políticas públicas de afirmação (dentre as quais tive a oportunidade de estar na academia). E sim, pode existir divergências conceituais do termo. E sim, entendo que a grande crítica ao “Black Money” é o fato dele estar atrelado à estrutura bancária, mas qual outra solução viável existe pra esse ponto?

Mas uma coisa não inviabiliza a outra e é por isso, imagino eu, que as pessoas se engajam em causas diversas. Que no fim das contas todas são para melhorias de um determinado grupo social.

Também concordo que a estrutura da sociedade só muda a partir de políticas públicas de longo prazo e aí a gente agradece os que estão à longa data lutando por isso. Mas no curto prazo e individualmente é dinheiro sim que muda a vida das pessoas. É esse o sistema que a gente vive, infelizmente. E as coisas não vão se alterar do dia pra noite como num passe de mágica.

Eu posso muito bem me engajar em questões relacionadas às políticas públicas, mas também posso querer que os pretos ganhem dinheiro trabalhando arduamente (e a gente sabe que empreendedor trabalha muito mais que 8 hrs por dia) e promovam atividades que nos fortaleçam.

Os armênios, italianos, espanhóis, japoneses, chineses, marcianos e jupiterianos fizeram e fazem isso e ainda são temas nas universidades. Pq a gente não pode também?

PS: textão publicado primeiro no Facebook, relevem o internetês.

O sistema de inovação brasileiro: uma proposta orientada à missão

No mês de agosto eu e o Tarcízio Silva apresentamos uma relatoria sobre o sistema de inovação brasileiro para a disciplina de Economia da Inovação e do Conhecimento na UFABC, disponibilizamos abaixo os slides utilizados.

O relatório The Brazilian Innovation System: A Mission-Oriented Policy Approach foi publicado em 2016 pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos sob gerenciamento de Mariana Mazzucato – Professora de Economia da Inovação na University of Sussex, membro na Science Policy Research Unity e autora de O Estado Empreendedor e Caetano Penna – Professor na UFRJ, membro do GESEL e da Science Policy Research Unity.

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Desvendando os códigos do Afro-Empreendedorismo

Praticamente complementando o evento do dia anterior, na quinta-feira passada, 18, aconteceu o Black Codes: Desvendando os códigos do Afro-Empreendedorismo no espaço Cubo Cowrking em São Paulo. Promovido pelo Instituto Feira Preta e pela consultoria Black Codes, em parceria com o Consulado Americano, o evento trouxe uma roda de conversa com empreendedores negros e palestra com Eugene Cornelius Jr da Small Bussines Administration.

Na sequência: Regina Pfiffer, Juliana Martins, Yan Ragede, Fernando Cândido, Fernanda Leôncio, e Diego Gervaes

Com mediação de Regina Pfiffer da Aliança Empreendedora, a mesa foi composta por Juliana Martins da Cerveja Kula, Yan Ragede da Afrobox, Fernando Cândido do Rap Burger (que já está nos meus cases pela ótima atuação nas mídias sociais), Fernanda Leôncio da Afrobusiness (do evento que tive o prazer de palestrar na outra semana) e Diego Gervaes da Black Codes. Os painelistas contaram sobre seus empreendimentos, diferenciais competitivos, conquistas e desafios sobre ser negro e empreendedor no Brasil.

Na sequência ocorreu a palestra de Eugene Cornelius Jr que, a partir do que foi compartilhado na mesa, afirmou “Me convidaram para falar como a experiência de afroempreendedorismo nos Estados Unidos pode auxiliar as atividades no Brasil, mas vocês não precisam da minha ajuda. Vocês já sabem o que fazer. E vocês já fazem muito bem”. Eugene também falou sobre reafirmar constantemente os indicativos positivos da população negra e como a comunidade de empreendedores e empresários podem ser organizar a partir dos princípios da economia étnica, da importância de conquistar cargos de lideranças e de tomadas de decisão para fortalecer o grupo, sobre estabelecer parcerias e associações em sintonia com aquela famosa frase “quem caminha sozinho chega mais rápido, mas aquele que vai acompanhado vai mais longe”.

Foto: Cubo Coworking.

Foram dois dias intensos de imersão no tema afroempreendedorismo que, sem sombra de dúvidas, farão toda a diferença no desenvolvimento da minha pesquisa.

Afroempreendedorismo é tema de eventos em São Paulo

Na quarta-feira passada, 17 de maio, estive presente no evento ‘O ecossistema para a Promoção do Crescimento de Negócios de Alto Impacto Social’ promovido pelo BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Inova Capital – Programa de Apoio a Empreendedores Afro-brasileiros.

A programação contou com a presença de líderes de iniciativas civis e governamentais, empresários e participações internacionais para debater sobre investimentos, desafios e possibilidades do mercado para afroempreendedores. Entre os convidados estavam Ruth Pinheiro da ReafroLuana Marques Garcia fundadora do Inova Capital, Eugene Cornelius Jr da Small Bussines AdministrationVenita Fields da Pelham S2K, o professor Marcelo Paixão da Universidade de Austin-Texas que pesquisa economia e questões raciais e responsável pela pesquisa ‘Acesso ao crédito produtivo pelos microempreendedores afrodescendentes – desafios para a inclusão financeira no Brasil’, entre outros.

Destaco aqui a pesquisa apresentada pelo professor Marcelo Paixão da qual analisa o perfil de acesso ao crédito produtivo pelos microempreendedores (MEI’s) a partir da diferenciação de cor ou raça. O estudo, desenvolvido pelo Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (LAESER) da UFRJ em parceria com o BID, é baseado em entrevistas de mil microempreendedores residentes das cidades do Rio de Janeiro e Salvador entre abril e junho de 2013.

A pesquisa aponta que os MEI’s pardos ou pretos, em comparação ao brancos, buscam menos por bancos na hora de obter crédito, pagam juros maiores, declaram incomodo dentro de estabelecimentos bancários e têm mais dificuldades no acesso a serviços financeiros. Entre os entrevistados negros 41,3% afirmam se sentir deslocados pela forma como são olhados dentro das instituições, 48,2% se sentem constrangidos e 60,8% declaram ser difícil ou muito difícil ter acesso ao crédito.

O estudo recomenda algumas políticas para a resoluções de problemáticas como essas destacadas acima, desde capacitação de agentes bancários, implementação efetiva de linhas de créditos para empreendedores negros, avaliação das regras aplicadas para liberação de crédito, entre outras sugestões.

É possível perceber que (também) nos espaços financeiros o racismo estrutural determina as regras. Mesmo a população negra no Brasil compondo 54% do país e movimentando, segundo a pesquisa Afroconsumo da Etnus, cerca de R$ 800 bilhões ao ano, ainda assim os bancos, principais interessados na rotatividade financeira ainda barram o acesso de pretos e pardos ao crédito, que para esses o pedido é recusado três vezes mais do que para brancos.

No dia seguinte, quinta-feira 18, participei do evento ‘Desvendando os códigos do afro-empreendedorismo’, conto mais sobre ele no próximo post.