‘Mulheres que inspiram’ via República da Comunicação

Recentemente tive a honra de participar da série ‘Mulheres que Inspiram’ do pessoal da República da Comunicação/RP Manaus. A série tem como objetivo conversar com várias mulheres de realidades e profissões diferentes.

Falei sobre carreira, racismo, machismo, relações públicas, entre outras coisas. Então para quem quiser ler, clica aqui! 😉

 

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Diásporas na Internet: análise de conteúdo do site Por Dentro da África

Abaixo a planilha com títulos, links e termos mais recorrentes encontradas pela Sobek Mining para consulta e melhor compreensão do artigo apresentado ao Eixo 5: O local digital das culturas: povos tradicionais, povos indígenas, diásporas e redes digitais do X Simpósio Nacional da ABCiber/2017.

#30diasporRafaelBraga: Rede de Solidariedade e Indignação

Durante todo o mês de junho acontece na internet e em espaços físicos da cidade de São Paulo e região metropolitana a campanha #30diasporRafaelBraga organizada por de profissionais e estudiosos de diversas áreas como comunicação, história, direito, psicologia, pedagogia, entre outras.

O caso Rafael Braga tem grande relevância em alguns movimentos sociais por se tratar de um dos episódios de maior incoerência jurídica brasileira da atualidade. Esses movimentos sugerem que tais incoerências teriam como motivação o fato de Rafael ser pobre, negro, catador de recicláveis e morador de favela na cidade do Rio de Janeiro.

Apesar de não ter participado, Rafael Braga foi o único condenado em relação às manifestações populares de junho de 2013, acusado de portar material para a confecção de coquetel molotov – desinfetante e água sanitária – que posteriormente comprovou-se que o composto não é capaz de criar líquido inflamável. Para compreender o contexto, o Movimento Pela Liberdade de Rafael Braga disponibiliza em seu site uma linha do tempo com os fatos e datas que concatenam o caso.

Ao fazer uma análise da maior dentre as páginas que pautam o caso Rafael Braga, a “Pela Liberdade de Rafael Braga Vieira” com 34.488 likes, percebemos uma maior sequência de conteúdos postados e, consequentemente, maior interação no último mês (de 17/4 – 29/5). Notamos também a participação de artistas, mídias alternativas e pessoas de várias localidades, inclusive fora do Brasil, em países como Alemanha, Estados Unidos, Japão e Uruguai. O incentivo ao apoio e suporte à família de Rafael Braga também é bastante recorrente, afinal era dele que vinha parte do sustento da casa. Ou seja, a rede de solidariedade e indignação em torno do caso é grande e significativa, sobretudo a indignação por identificação que reforça  que não há nem homogeneização dos membros da nação em termos culturais e de identidade (CANCLINI, 2015) e nem em termos de justiça quando aspectos identitários são levados a júri.

Se você não está familiarizado com essa pauta, deixo abaixo dois vídeos que sintetizam os últimos anos de Rafael Braga e convido a curtir a página #30diasporRafaelBraga e acompanhar todas as ações e debates.

 

 


Bibliografia citada: 

CANCLINI. Nestor A. Diferentes, desiguais e desconectados: mapas da interculturalidade. 3ª ed. 1ª reimp. Rio de Janeiro: UFRJ, 2015.

Profissionais e empreendedores negros, redes sociais e economia étnica

Como comentei em outras ocasiões, estou cursando mestrado em Ciências Humanas e Sociais na UFABC e passado o período de reescrita da proposta venho compartilhar meu objeto de estudo.

Logo depois do processo seletivo pensei em alterar alguns pontos pois percebi que teria obstáculos teóricos no andamento da pesquisa. A primeira proposta era: Análise do discurso na internet: um estudo sobre o afroempreendedorismo. Porém grande parte do referencial de empreendedorismo está no campo da administração, mas minha pesquisa será pelo viés das ciências sociais e eu não queria me distanciar disso. O projeto era ainda mais fragmentado pela questão do ‘afroempreendedorismo’, se empreendedorismo já não teria muita referência, imagina com esse recorte. É um ótimo desafio para doutorado, mas um passo de cada vez, rsss. Outro ponto é que se eu não falasse de profissionais negros talvez análises interessantes ficariam de fora.

Então, aguardei a atribuição de orientação, conversei com minha orientadora e estando ambas em conformidade ganhei uns dias para elaborar a nova proposta, que ficou da seguinte forma: Redes sociais na internet como promotora da economia étnica: um estudo sobre os profissionais e empreendedores negros. 

‘Redes sociais na internet’ me mantém em território conhecido, pois é a área que atuo no mercado da comunicação e que tenho certa bagagem de estudos. Retirei a análise do discurso que seria baseado em Foucault, embora eu vá usá-lo no referencial teórico não é mais um dos temas centrais. E substituí ‘empreendedorismo’ e ‘afroempreendedorismo’ por economia étnica que é um tema já discutido em sociologia econômica e que, vale dizer, estou adorando me aprofundar.

A metologia aplicada será a etnografia para a internet (HINE, 2015) em grupos de temas específicos dentro do Facebook e falar de empreendedores e também de profissionais abre o leque para conteúdos mais diversos. Por motivação pessoal eu já estou em alguns desses grupos há um tempo, aliás foi daí que surgiu a vontade de pesquisar as relações estabelecidas nesses ambientes e por já observá-los vi que alguns tem mais interação que outros, entre esses tem os que não são somente de empreendedores negros, são específicos de profissionais negros e outros ainda me dão a oportunidade de falar do recorte de gênero dentro do recorte de raça. Até então, são mais de 20 grupos diferentes dos quais serão selecionados (ainda não sei sob quais critérios) uns cinco que contenham empreendedores negros, profissionais negros e o recorte de mulheres negras.

Certo, mas e aí o que eu pretendo com isso? Descobrir como os profissionais e empreendedores negros utilizam as redes sociais na internet para promover a economia étnica. Entende-se por economia étnica as movimentações estratégicas de defesa e ajuda mútua de migrantes e de minorias étnicas, sobretudo para propor alternativas às possíveis exclusões e desvantagens no mercado de trabalho formal. Segundo Ivan Light, há duas formas de se caracterizar a economia étnica: estando num posto de decisão (podendo agir por influência para a contratação de co-étnicos) e sendo proprietário de um negócio (decidindo deliberadamente pela contratação de co-étnicos) (LIGHT, 2005). Mas para além do aspecto da contratação também pretendo verificar se existe a oferta de vantagens em relação aos produtos e serviços para membros dessas comunidades étnicas e como ocorre essa abordagem.

Há diversos estudos anteriores baseados na teoria da economia étnica como o de Truzzi e Netto sobre italianos, portugueses e espanhóis, de Grun sobre armênios e de Noronha que aborda empregabilidade étnica de forma mais ampla, porém minha pesquisa tem como premissa pensar a população negra como um grupo que também se articula economicamente, principalmente para tentar burlar os mecanismos racistas da sociedade, e que entendeu o papel fundamental da internet para a criação de “quilombos digitais”. Embora, e isso é uma preocupação no referencial teórico, a população negra no Brasil não pode ser considerada como migrante, pois a nós a escravidão foi imposta violentamente. Optei por falar de diáspora (HALL, 2003) e ainda usar referências de Kabengele Munanga, Joel Rufino dos Santos, Dennis de Oliveira, Mário Theodoro, Pedro Jaime, Clóvis Moura, Ramatis Jacino, Sueli Carneiro, Lélia Gonzales entre outros pesquisadores para a abordagem sócio antropológica da população negra.

Minha formação primeira é em comunicação, então estou numa grande imersão em temas da sociologia econômica e tem sido algo muito surpreendente. No mais positivo dos sentidos. Fazer essa troca de conceitos foi a decisão mais certa até então. E já de antemão agradeço aos docentes Regimeire Maciel, Ramatis Jacino, Paris Yeros e Maximiliano Barbosa pela atenção e sugestões de bibliografia em economia, trabalho e relações étnico-raciais, etc. Enfim, essa é a proposta inicial que pode mudar (e provavelmente mudará) conforme as coisas forem acontecendo, mas espero finalizar da melhor forma. 🙂

Referências bibliográficas

HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2003.

HINE, C. Ethnography for the internet: embedded, embodiedandeveryday. Huntingdon, GBR: Bloomsbury Publishing, 2015.

LIGHT, Ivan. The Ethnic Economy in N. Smelser e R. Swedberg (org.): The Handbook of Economic Sociology. Princeton EP & Russel Sage, 2005.

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#diadasmulheres | Já leu uma mulher hoje?

O Dia Internacional das Mulheres é o dia oficial dos clichês, por mais que todos os anos nós falemos sobre isso e sobre quais atitudes esperadas sempre vemos o mais do mesmo do show do horror. E aí fazemos o clássico esforço de aproveitar o buzz da data para fortalecer e divulgar o trabalho de mulheres.

Esse ano preparei uma lista com autoras das quais indico contato com a obra, sejam dos livros físicos, dos artigos, pelas poesias ou pelos posicionamentos nas redes sociais.

Carolina Maria de Jesus – mulher negra, foi moradora da favela do Canindé em São Paulo, viveu entre 1914 e 1977, catadora de papelão e mãe de três filhos. Foi para escola com auxílio de um magnata que quis ajudar as crianças pobres do bairro em Minas Gerais. Permaneceu lá apenas até a segunda série, mas aprendeu a ler e escrever. Já em São Paulo, quando encontrava cadernos guardava-os para escrever e assim fazia, principalmente sobre o cotidiano na favela. Carolina é considerada a primeira escritora negra brasileira, sua obra mais conhecida é o Quarto de Despejo que trata sobre a narrativa da favela do Canindé e seu dia-a-dia de trabalho para garantir a sobrevivência da família.

Jarid Arraes – nascida no Ceará, atualmente mora na cidade de São Paulo onde mantêm projetos como Terapia Escrita, Clube da Escrita Para Mulheres e o Clube Leitura Independente. Tem mais de 60 títulos, sendo o mais atual o As Lendas de Dandara. Também tem material produzido para a Artigo 19 e Think Olga.

Maria Clara Araújo – mulher, trans, pobre e negra, cursa Pedagogia pela Federal de Pernambuco onde teve que se matricular com o nome civil e precisou lutar pelo direito de usar o nome social. Ela traz textos excelentes nas redes sociais, tem alguns artigos científicos publicados e escreve no Blogueiras Negras, dentre os vários textos o de maior repercussão é o Por que os homens não estão amando as mulheres trans?

Mel Duarte – paulistana, poetisa e ativista cultural, integrante do Coletivo Ambulantes e do Slam das Minas. Na abertura da Flip 2016, Mel Duarte representou a comunidade de escritoras(es) negras(os) endossando por meio da poesia os protestos pela baixa representatividade do evento. Possui dois livros publicados, sendo o mais recente o Negra Nua Crua.

Sueli Carneiro – é doutora em Educação pela USP e diretora do Geledés Instituto da Mulher Negra. Teórica sobre as questões da mulher negra, também teve (e tem) forte influência em movimentos políticos, sobretudo no estado de São Paulo. Além disso, é autora do livro Racismo, Sexismo e Desigualdade no Brasil que reúne uma coletânea de vários dos seus artigos.

Luana Protazio – tem 20 anos, reside em Bauru (interior de SP), estudante de relações públicas e integrante dos movimentos de hip hop da cidade. Luana é idealizadora e autora no blog Elogie Uma Irmã Negra que traz periodicamente textos de análises e críticas excelentes. Um dos mais atuais e importantes temas fala do racismo no carnaval no artigo Tire o seu racismo da folia.

Suzane Jardim – é historiadora e pesquisadora, sobretudo em temáticas sobre a História Negra. Nas redes sociais e em outras plataformas trata com muito didatismo temas polêmicos sobre questões atuais dos movimentos feminista e negro. Recentemente teve análise publicada no Jornal Nexo sobre documentários que tratam de racismo e violência policial.

Conceição Evaristo – mineira de Belo Horizonte, sua mãe era lavandeira e assim como Carolina Maria de Jesus mantinha um diário para escrever sobre seu dia-a-dia. Quando jovem, Conceição trabalhava como empregada doméstica para se manter. Mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar Letras na UFRJ, depois tornou-se mestre em Literatura Brasileira (PUC/RJ) e doutora em Literatura Comparada (UFF). Entre suas obras, a mais recente é Olhos D’água, uma ficção que trata da pobreza e violência do urbana da população negra.

Aproveitando que citei o boicote à Flip 2016, em junho do ano passado presenciei lá na SOF um ótimo bate-papo sobre mulheres negras na literatura, pautado justamente por essa ocasião. Nessa noite estiveram presentes Miriam Alves, Bianca Santana e Jenyffer Nascimento e o vídeo está completo no youtube. <3