Profissionais e empreendedores negros, redes sociais e economia étnica

Como comentei em outras ocasiões, estou cursando mestrado em Ciências Humanas e Sociais na UFABC e passado o período de reescrita da proposta venho compartilhar meu objeto de estudo.

Logo depois do processo seletivo pensei em alterar alguns pontos pois percebi que teria obstáculos teóricos no andamento da pesquisa. A primeira proposta era: Análise do discurso na internet: um estudo sobre o afroempreendedorismo. Porém grande parte do referencial de empreendedorismo está no campo da administração, mas minha pesquisa será pelo viés das ciências sociais e eu não queria me distanciar disso. O projeto era ainda mais fragmentado pela questão do ‘afroempreendedorismo’, se empreendedorismo já não teria muita referência, imagina com esse recorte. É um ótimo desafio para doutorado, mas um passo de cada vez, rsss. Outro ponto é que se eu não falasse de profissionais negros talvez análises interessantes ficariam de fora.

Então, aguardei a atribuição de orientação, conversei com minha orientadora e estando ambas em conformidade ganhei uns dias para elaborar a nova proposta, que ficou da seguinte forma: Redes sociais na internet como promotora da economia étnica: um estudo sobre os profissionais e empreendedores negros. 

‘Redes sociais na internet’ me mantém em território conhecido, pois é a área que atuo no mercado da comunicação e que tenho certa bagagem de estudos. Retirei a análise do discurso que seria baseado em Foucault, embora eu vá usá-lo no referencial teórico não é mais um dos temas centrais. E substituí ‘empreendedorismo’ e ‘afroempreendedorismo’ por economia étnica que é um tema já discutido em sociologia econômica e que, vale dizer, estou adorando me aprofundar.

A metologia aplicada será a etnografia para a internet (HINE, 2015) em grupos de temas específicos dentro do Facebook e falar de empreendedores e também de profissionais abre o leque para conteúdos mais diversos. Por motivação pessoal eu já estou em alguns desses grupos há um tempo, aliás foi daí que surgiu a vontade de pesquisar as relações estabelecidas nesses ambientes e por já observá-los vi que alguns tem mais interação que outros, entre esses tem os que não são somente de empreendedores negros, são específicos de profissionais negros e outros ainda me dão a oportunidade de falar do recorte de gênero dentro do recorte de raça. Até então, são mais de 20 grupos diferentes dos quais serão selecionados (ainda não sei sob quais critérios) uns cinco que contenham empreendedores negros, profissionais negros e o recorte de mulheres negras.

Certo, mas e aí o que eu pretendo com isso? Descobrir como os profissionais e empreendedores negros utilizam as redes sociais na internet para promover a economia étnica. Entende-se por economia étnica as movimentações estratégicas de defesa e ajuda mútua de migrantes e de minorias étnicas, sobretudo para propor alternativas às possíveis exclusões e desvantagens no mercado de trabalho formal. Segundo Ivan Light, há duas formas de se caracterizar a economia étnica: estando num posto de decisão (podendo agir por influência para a contratação de co-étnicos) e sendo proprietário de um negócio (decidindo deliberadamente pela contratação de co-étnicos) (LIGHT, 2005). Mas para além do aspecto da contratação também pretendo verificar se existe a oferta de vantagens em relação aos produtos e serviços para membros dessas comunidades étnicas e como ocorre essa abordagem.

Há diversos estudos anteriores baseados na teoria da economia étnica como o de Truzzi e Netto sobre italianos, portugueses e espanhóis, de Grun sobre armênios e de Noronha que aborda empregabilidade étnica de forma mais ampla, porém minha pesquisa tem como premissa pensar a população negra como um grupo que também se articula economicamente, principalmente para tentar burlar os mecanismos racistas da sociedade, e que entendeu o papel fundamental da internet para a criação de “quilombos digitais”. Embora, e isso é uma preocupação no referencial teórico, a população negra no Brasil não pode ser considerada como migrante, pois a nós a escravidão foi imposta violentamente. Optei por falar de diáspora (HALL, 2003) e ainda usar referências de Kabengele Munanga, Joel Rufino dos Santos, Dennis de Oliveira, Mário Theodoro, Pedro Jaime, Clóvis Moura, Ramatis Jacino, Sueli Carneiro, Lélia Gonzales entre outros pesquisadores para a abordagem sócio antropológica da população negra.

Minha formação primeira é em comunicação, então estou numa grande imersão em temas da sociologia econômica e tem sido algo muito surpreendente. No mais positivo dos sentidos. Fazer essa troca de conceitos foi a decisão mais certa até então. E já de antemão agradeço aos docentes Regimeire Maciel, Ramatis Jacino, Paris Yeros e Maximiliano Barbosa pela atenção e sugestões de bibliografia em economia, trabalho e relações étnico-raciais, etc. Enfim, essa é a proposta inicial que pode mudar (e provavelmente mudará) conforme as coisas forem acontecendo, mas espero finalizar da melhor forma. 🙂

Referências bibliográficas

HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2003.

HINE, C. Ethnography for the internet: embedded, embodiedandeveryday. Huntingdon, GBR: Bloomsbury Publishing, 2015.

LIGHT, Ivan. The Ethnic Economy in N. Smelser e R. Swedberg (org.): The Handbook of Economic Sociology. Princeton EP & Russel Sage, 2005.

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Empreende Aí abre inscrições para curso online

Neste mês de abril, o negócio de impacto social empreende ai abriu as inscrições para o seu curso “Despertando o empreendedor”, o primeiro curso online do brasil voltado para empreendedores populares.

O Empreendei Ai é um negócio de Impacto social criado para disseminar conhecimento empreendedor e melhorar a vida das pessoas através do empreendedorismo, foi criado com o objetivo de trazer esses conhecimentos para as comunidades, dando à elas instrumentos para que possam empreender de maneira estruturada, consciente e diminuindo os riscos de insucesso.

Com o objetivo capacitar novos empreendedores e direcionar negócios já iniciados, o curso visa popularizar o empreendedorismo e alcançar áreas mais distantes e desenvolverem práticas empreendedoras.

Os alunos também contarão com Aulas de Autoconhecimento, Ideação e Modelagem de Negócios, para você tirar sua ideia do papel ou melhorar o negócio que já criou; poderão desenvolver SUAS HABILIDADES e utilizá-las para abrir o seu negócio sem grandes investimentos; terão Aulas com Professores que já participaram na criação de mais de 50 negócios dentro das periferias e capacitaram mais de 150 alunos, como Toddy Ivon e Monique Evelle; acesso a todos os conteúdos em formato MP3 para que você possa ouvir em momentos que não poder ver as vídeo aulas; acesso a todo o conteúdo do curso, que inclui 2 módulos com mais de 10 vídeo aulas, aulas com empreendedores de outros Estados com grande destaque no Brasil e no mundo e também e com quem começou empreendendo no Brasil produzindo com grandes artistas RAP/HIP HOP, e hoje empreende fora do país.

A abordagem adotada pelo Curso Online do Empreende aí, é pioneira e inovadora, e proporciona uma grande experiência para o aluno – ou seja, qualquer pessoa interessada em desenvolver conhecimentos em empreendedorismo pode se inscrever.

As inscrições estão abertas e podem ser feitas até o dia 05 de maio, através do site.

Dica de blog: Insightee – à procura do insight perfeito

Eu amo gente jovem com energia. E que, de quebra, produz materiais úteis, sérios e responsáveis. Esse é o caso do Pedro Meirelles do blog Insightee (que já está na lista de referências desde o início do blog, mas o que é bom vale reforçar, né…).

Pedro tem 21 anos, é aluno no curso de Estudos de Mídia da UFF e assistente de pesquisa no IBPAD. Em novembro de 2016 publicou o post Profissão Social Media: áreas de atuação e fontes para estudo, um material maravilhoso detalhando as áreas de social media (monitoramento, planejamento, conteúdo, relacionamento, mídia e mensuração) com dicas de profissionais a seguir, conteúdo para estudar, eventos, cursos, etc.

Não satisfeito (ainda bem), a continuação desse material é o detalhamento de cada área, com a colaboração de 10 profissionais que atuam em regiões e portes diferentes. O primeiro post foi o Profissão Social Media: monitoramento – da teoria à prática e o segundo Profissão Social Media: planejamento – da teoria à prática, do qual tive o grande prazer de colaborar.

Se você achou incrível até aqui é por que ainda não viu os conteúdos anteriores. Que tal um debate embasado sobre diversidade nas organizações? Tem no post Profissionais de comunicação, a diversidade se faz na diferença, com uma reflexão sobre relações de poder, identidades e diferenças em Stuart Hall e o teste dos privilégios do ID_BR. Falando em Hall, tem o Cultura e representação, de Stuart Hall – Introdução (e a Skol, hein?) com uma resenha do livro Cultura e Representação.

Ah, mas você busca um conteúdo mais técnico? Tem também. No Como escolher o melhor curso para o seu trabalho em mídias sociais que tem uma lista com mais de 50 instituições de ensino que oferecem cursos voltados para a área de mídias sociais. E complementando, tem o Quais os conhecimentos mais requisitados em vagas de mídias sociais/digital? que analisa os requisitos de 600 posts de vagas num grupo no Facebook.

E se você quiser conferir o resultado final da série Profissão Social Media: da teoria à prática vota para a palestra entrar no Social Media Week 2017. 😉

Social Media Week abre votação para palestras de 2017

Chegou aquele tradicional momento do ano: votar nas palestras do Social Media Week! Esse ano o evento acontece na ESPM Vila Mariana e conta com o apoio dos professores de comunicação digital da instituição na curadoria de conteúdo.

Outro ponto de organização, os temas estão separados por assunto, o que é interessante até para pensar no que é mais urgentes em comunicação atualmente. Na nuvem de palavras, por exemplo, podemos ver quais os temas mais oferecidos. Será que tanto conteúdo em empreendedorismo seria reflexo do contexto social com a crescente de apostas em negócios próprios devido ao desemprego? Fica aí a questão.

Bom, mas preparei uma lista de sugestões de temas, palestras e palestrantes que considero interessante que valem o voto. Segue:

 

WikiLab – a primeira wikihouse de São Paulo

Laboratório de Tecnologias Livres da UFABC (LabLivre UFABC) promove campanha no Catarse para “imprimir” uma wikihouse.

Mas que? Sim, exatamente. Imprimir! Segundo o grupo “Vamos usar chapas de madeira e uma máquina CNC para cortar e numerar as peças que serão utilizadas para levantarmos nosso laboratório acadêmico. Depois juntaremos quem estiver disposto a ajudar – sem a necessidade de nenhum conhecimento específico – e encaixaremos as peças como em um quebra-cabeças gigante.”.

A primeira wikhouse de São Paulo e a segunda do Brasil ficará alocada na UFABC campi SBC, trata-se de uma estrutura feita de madeira compensada, cortada com uma máquina CNC – impressora 3d com cortadora a laser. Os planos da estrutura foram criados pela comunidade global da wikihouse e estão disponíveis para qualquer um na rede. O objetivo é permitir que qualquer pessoa projete faça o download e imprima casas e componentes que podem ser montados com o mínimo de habilidades formais ou treinamento. O projeto é um alternativa inovadora de habitação de baixo custo que pode ser adaptada e implementada no mundo inteiro.

O Laboratório de Tecnologias Livres, LabLivre, realiza pesquisas interdisciplinares com o objetivo geral de desenvolver soluções tecnológicas livres e abertas para as políticas públicas, para a ampliação da participação democrática, para a criação e produção cultural e para os direitos humanos. O Laboratório reúne pesquisadores da sociologia, da ciência política, da filosofia, da comunicação, da engenharia e da computação, entre outras áreas.

Também atua agregando os saberes e práticas acadêmicos com o conhecimento produzido pelas comunidade hacker e maker. Por isso, o LabLivre atuará no mesmo espaço que o makerspace dos coletivos tecnológicos da região do ABC .

As recompensas começam a partir de R$ 20,00 e incluem e-books, cursos, camisetas, chaveiros entre outros. Para ter mais detalhes da companha e colaborar clique aqui. 🙂