Casa Feminaria – rede de negócios femininos

Provavelmente conheci a Casa Feminaria via algoritmos do Facebook, mas não me lembro ao certo. Entrei no grupo. Curti a página. E achei tudo muito interessante. Basicamente a proposta segue a lógica dos grupos de mulheres empreendedoras e/ou feministas.

Provavelmente a experiência de comunidades em redes sociais é diferente para homens e mulheres. Embora eu tenha muitas ressalvas ao Facebook, por exemplo, adoro os grupos de mulheres que existem para auxiliar e colaborar umas com as outras. Só para se ter uma ideia, os grupos que mais frequento e consumo produtos/serviços/conteúdos são Preta comprando de preta, Preta & Acadêmica, Inglês das Minas, Networking das Minas, Minas de estratégias, entre outros. Qualquer tema que você imaginar existe um grupo só de mulheres focado nisso, pode acreditar. E embora tenham divergências (como em qualquer outro lugar) considero esses espaços maravilhosos, sobretudo da perspectiva de que se precisamos criar alternativas de ambientes seguros é por que os espaços comuns nos violentam de alguma forma e nos privam de oportunidades e desenvolvimento.

Criada pela advogada Ana Carolina Moreira, o diferencial da Casa Feminaria é que existe de fato uma casa física (em relação aos grupos que são reuniões apenas online), com espaço para palestras, workshops, cursos, atendimentos e estações de trabalho num coworking. Há uma rede de profissionais de diversas áreas (contabilidade, moda e estilo, psicologia, advogacia, coaching, medicina, artesanato, etc) articuladas para colaborar com as necessidades que não são especialidades umas das outras.

Aproveitando a migração que tive que fazer de CLT para autônoma me associei à Casa e tem sido uma experiência bem bacana. Já me consultei com algumas das profissionais da rede, a série de planejamento estratégico para leigos também estará disponível no blog da Casa e provavelmente vou ofertar um workshop com foco em comunicação no decorrer do ano.

Na rede é possível ser associada – pagar uma mensalidade e usufruir dos benefícios; consultora – oferecer plantões sobre sua especialidade para as associadas; ou apoiadora – oferecer descontos de produtos e serviços para a rede.

A Casa fica na Rua dos Ingleses, 14 na Aclimação, aberta de segunda à sexta das 9h às 19h e sábados e domingos para eventos (o horário se estende em dias de cursos, aliás terão aulas de inglês, espanhol e italiano). A programação conta com happy hour, cineclube, rodas de conversa e muito mais. Para as meninas, bora lá conhecer? 😉 

História da Psicologia e as Relações Étnico-Raciais

Como comentei no post sobre propostas e projetos do ano, sugeri ao Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas da 2ª região, da qual sou registrada, a criação de um comitê de enfrentamento ao racismo. Particularmente eu não tenho experiência no desenvolvimento de projetos nesse escopo, então o primeiro passo para estruturar a ideia foi fazer um benchmarking em comitês de mesmo tema já encaminhados, como o do Conselho Regional de Psicologia.

Conheci as ações de relações étnico-raciais do CRP acompanhando o trabalho da Ivani Oliveira que além de ser um contato pessoal, também é psicóloga e conselheira pertencente ao comitê. Além da Ivani, pude conversar sobre esse assunto com a Bárbara Oliveira Pina que é psicóloga e atende na Casa Feminaria (em outra oportunidade falarei com mais detalhes sobre a Casa). A Bárbara me emprestou o DVD História da Psicologia e as Relações Étnico-Raciais que conta sobre a abordagem da psicologia com viés racial e como ocorreu a estruturação do comitê de enfrentamento ao racismo no regional.

“Não há um desconhecimento do racismo. Todo mundo sabe que o racismo existe, mas há uma resistência, uma recusa em pensar o Brasil a partir da sua história. Não é possível pensar o país sem a gente pensar que ele foi fundado na violência contra negros e indígenas” são com as palavras da Psicóloga Maria Lúcia da Silva que se inicia o documentário do CRP. O material é dividido em sessões para contextualização de períodos e os avanços da psicologia, como: Brasil colonia, desconstrução do determinismo biológico, projeto Unesco nos anos 50, estudos da interculturalidade, conhecimentos tradicionais nos anos 70, psicologia e as relações étnico-raciais nos anos 90 e relata o maior envolvimento dos conselhos de psicologia na organização de debater e produção de conhecimentos acerca da pauta a partir dos anos 2000.

Entre as campanhas e eventos uma outra ação prática do conselho foi a criação e aplicação na resolução 018/2002 que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação a preconceito e discriminação racial.  Em resumo e como explica a psicóloga Ivani Oliveira “a resolução é um enfrentamento ético ao racismo, trata do compromisso que o profissional assume em não promover e nem ser conivente com a discriminação racial”. Durante o documentário ficou claro que a organização precisou assumir sua parcela de passividade e colaboração com o racismo institucional. Somente a partir da pressão de militantes, profissionais e estudantes negros que o órgão passou a incluir em suas propostas de atuação o debate acerca do tema. A partir de então o racismo enquanto vertente de debate vem recebendo esforços para que seja posto em voga como um elemento transversal em todos os vieses da psicologia.

Outro ponto bastante relevante nas falas foi a questão da interconexão com outras disciplinas, como a sociologia, história e antropologia para a compreensão da narrativa e da realidade da sociedade brasileira, sobretudo dos grupos centrais interessantes ao comitê. E ainda, a enfase na aprendizagem contínua e na escuta ativa de tais grupos para a absorção de saberes que haverão de ser utilizados no desenvolvimento de práticas do CRP.

Bom, o material é todo muito rico e importante para a temática. Quem quiser assistir tem disponível no Youtube.

Cartilha planejamento estratégico para leigos

No ano de 2015 eu escrevi para o Versátil RP uma série de post’s sobre planejamento estratégico em comunicação com foco em pequenos empreendedores. O objetivo desse conteúdo é apresentar o processo, conceitos e algumas ferramentas de forma simplificada, para que aqueles que precisam trabalhar a comunicação de suas marcas, mas que eventualmente não tem a verba necessária para a contração de uma agência ou profissional possam ao menos ter uma noção básica de passos importantes da estratégia de comunicação.

Daí que surgiu a ideia de disponibilizar algumas das séries do VRP em forma de e-book ou cartilha para utilização rápida, offline e impressa. Então apresento agora a nossa cartilha de Planejamento Estratégico para Leigos. 🙂

O projeto da cartilha contou com colaboração de Daiane Almeida com a organização e revisão, Júnior Ribas com a primeira diagramação e a versão final de layout ficou por conta de Rogério Ribeiro. Seu conteúdo trata do processo de planejamento pelo livro da Professora Margarida Kunsch e traz ainda dicas de ferramentas, fontes de inspiração e conteúdo.

O material está disponível para consulta e download no Issuu do VRP. Espero que todos possam fazer um bom uso. 🙂

Acesso à informação e o direito das mulheres

Lançada em dezembro do ano passado a cartilha Acesso à informação e o direito das mulheres é um material produzido pela ONG Artigo 19 – organização especializada em promover o direito à liberdade de expressão e o acesso à informação.

O direito à liberdade de expressão e ao acesso de informações públicas é garantido pelo artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e pelo artigo 5º da Constituição Federal. A regulamentação do direito à informação se deu pela Lei de Acesso à Informação, a LAI (Lei nº12.527/11), em 2011. Toda as informações da administração pública devem ser também públicas para a garantia de uma governança transparente, trata-se de uma forma de fiscalizar e cobrar que direitos sociais, políticos e econômicos sejam honrados pelo Governo.

A cartilha traz detalhadamente e de maneira bastante didática como utilizar a LAI para obter informações políticas do seu interesse. E faz ainda uma intesecção do direito à informação com os direitos das mulheres, sobretudo ao que se refere à promoção de vida livre de violência, discriminação e à igualdade de gênero. A principal missão desse conteúdo focado em gênero é possibilitar que mais mulheres busquem por informações públicas de interesse de tal grupo social desprivilegiado pela estrutura social, pois “segundo dados disponíveis no site da Controladoria-Geral da União, entre maio de 2012 e maio de 2016, as mulheres eram apenas 39,19% das pessoas que fizeram pedidos de informação junto ao Poder Executivo Federal” e em “estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas, constatou-se que a taxa de resposta para pedidos feitos por mulheres era 57%, enquanto a taxa de resposta para pedidos feitos por homens era 72%” (p. 8 e 9). Ou seja, a quantidade de mulheres que pedem acesso à informação é baixa e nem todas as respostas são dadas à elas por parte dos órgãos públicos.

A cartilha segue com sugestões de como os governos são orientados a lidar com a liberação de informações sobre o direito das mulheres, sobre geração de dados, leis relacionadas ao combate de violência contra a mulher e um ótimo passo a passo de como solicitar informações públicas que ainda não foram publicizadas.

É importante salientar que todos os órgãos públicos, autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista e entidades controladas direta ou indiretamente pelos entes da federação, além de entidades privadas sem fins lucrativos que recebam recursos públicos estão submetidos à Lei de Acesso à Informação e devem responder a todos os pedidos de informação dos cidadão em um prazo de 20 dias corridos.

Se interessou pelo tema? Então, acesse aqui para baixar a cartilha Acesso à informação e o direito das mulheres. 

Novos rumos, internet, empreendedorismo e diversidade

Já iniciei os trabalhos de 2017, mas é válido contextualizar a transição de caminhos. Primeiramente, para quem está acostumado a me ler e atuar pelo Versátil RP, eu continuo lá mesmo com o blog pessoal e muito provavelmente encabeçando um projeto bem bacana, conto mais abaixo.

Algumas mudanças aconteceram em decorrência do mestrado. Desde de 2015 venho me preparando para ingressar no curso. Estudando as bibliografias, redigindo o projeto de pesquisa e sendo reprovada na primeira seleção para aprender com os erros, rsss.

Pois bem, objetivo alcançado. A partir de fevereiro ingresso no Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas e Sociais na UFABC, linha de pesquisa Cultura, Comunicação e Dinâmica Social. Meu projeto, a princípio, é sobre o movimento afroempreendedor na internet/redes sociais.

Porém, com esse passo dado tive que abrir mão do mercado como empregada e passo a atuar como autônoma para flexibilizar meus horários com a demanda, os compromissos e exigência do programa. Portanto, estou disponível caso precisem de uma relações-públicas e social media. Meu portfólio pode ser visto aqui. 🙂

Sobre internet, empreendedorismo e diversidade

O empreendedorismo está na veia da família que sempre precisou “fazer um por fora” para pagar todas as contas, trabalho com internet desde 2009 e diversidade tem sido um tema de aprofundamento nos últimos dois anos, sobretudo ao que se refere à mulher e negritude. Logo, juntar tudo isso no desenvolvimento da minha carreira foi um resultado até natural.

Além do tema do projeto de pesquisa que versa basicamente nesses três pilares, também tenho direcionado a atuação técnica nesse sentido. Alguns exemplos de projetos/trabalhos bem legais que harmonizam esse foco:

Fabio Henrique, profissional do audiovisual

Nesse trabalho fizemos a identidade visual (criação gráfica com a First), reestruturação das mídias sociais, planejamento editorial, produção e execução de conteúdo. O Fabio também tem foco em diversidade nos projetos dos quais participa, como a série de vídeos de artistas e as indicações de profissionais durante o novembro negro.

Crowdfunding Flores de Baobá

Dirigido por Gabriela Watson o Flores de Baobá é um documentário que trata da desigualdade no acesso à educação nas comunidades negras. Para abordar o assunto o enredo do documentário acompanha a trajetória de duas educadoras: Nyanza Bandele na Filadélfia e Priscila Dias em São Paulo. Integro a equipe de comunicação responsável pela campanha de crowdfunding no Catarse que tem por objetivo de obter verba para a finalização do documentário.

Comitê de enfrentamento ao racismo

A partir da necessidade de debater a questão do racismo dentro no universo da comunicação e das relações públicas apresentei essa proposta na última plenária do Conrerp/2. Inspirado no comitê do conselho de psicologia e no comitê de diversidade da Aberje, a princípio a ideia é mapear e conversar com os estudantes e profissionais negros da categoria como primeiro passo para a estruturação de um comitê específico.

Então, se você precisa desenvolver um projeto de social media, conteúdo ou planejamento editorial é só entrar em contato por aqui ou no contato@taisoliveira.me. 😉